
A manhã do dia 25 de Abril de 1974 começou para mim da mesma forma que todos os outros dias. Era apenas mais um dia de escola. No entanto, a meio da manhã, durante uma aula de francês na escola preparatória Afonso Paiva de Castelo Branco, a professora Ercília interrompeu a aula para nos comunicar que estava em curso um movimento que poderia dar origem a mudanças importantes no país.
Para mim esta notícia significava, antes de mais, uma janela que se abria para o possível regresso do meu pai a Portugal. Esta foi a primeira mensagem que me trouxe o 25 de Abril: a possibilidade do reencontro de uma família que por várias razões viu o meu pai sair do país em setembro de 1972.
Mais tarde percebi o que estava verdadeiramente em causa no plano político, económico e social e as consequências que viriam a decorrer da chamada Revolução dos Cravos de Abril de 1974 que acabaram por transformar a vida de todos os Portugueses independentemente do local da sua residência.
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Carlos Gonçalves
Ex-Deputado (PSD) e ex-Secretário de Estado das Comunidades
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“25 de Abril: 50 anos / 50 testemunhos” é uma iniciativa do fotógrafo Mário Cantarinha, em parceria com o LusoJornal.
Mário Cantarinha escolheu 50 personalidades da Comunidade portuguesa de França, 25 homens e 25 mulheres. Alguns destes testemunhos já foram utilizados para uma exposição há 10 anos. O LusoJornal publica agora os 50 testemunhos, um por dia, até ao dia 25 de abril de 2024.







O 25 de Abril, ainda é um facto histórico relativamente mal contado, e muito romantizado também.
Sem qualquer duvida, a revolução de abril representou um grande salto no desenvolvimento político-social do país, e abriu o caminho para que 2 anos mais tarde se instalasse a democracia.
Foi importantíssimo para todos os portugueses, exceto, é claro para os colonos, que eram os donos de Africa.
As verdadeiras motivações do Golpe Militar do 25 de Abril de 1974 eram profissionais e muito pouco políticas, pretendendo o Movimento dos Capitães recuperar o prestígio das Forças Armadas, (como dizemos em França, “redorer le Blason”), e acessoriamente efetuar uma mudança de regime para resolver a guerra colonial, que militarmente os mesmos não conseguiam ganhar no terreno, em suma, havia a necessidade de encontrar uma solução política para as revoltas separatistas nas colónias e não uma solução militar.
As motivações da criação do Movimento dos Capitães começaram por estar relacionadas com problemas de carreira e com o descontentamento relacionado com publicação pelo governo de dois decretos-lei de julho e agosto de 1973 – para responder às necessidades da guerra colonial criou um forte descontentamento profissional entre os oficiais que tinham tido uma formação militar de quatro anos.
Estes não aceitavam poder vir a ser ultrapassados pelos novos oficiais milicianos, cuja formação seria feita apenas em dois semestres.