5 de maio, Dia Mundial da Língua Portuguesa

A Unesco decretou o dia 5 de maio como o Dia Mundial da Língua Portuguesa. 265 milhões de pessoas nos quatro cantos do mundo vão assim poder festejá-la!

Que louvada seja a língua que navegou através dos séculos guardando na memória o falar dos povos que a criaram!

Foi celta nos tempos primórdios, foi grito na boca de Viriato combatendo os romanos nos montes Hermínios. Traído e derrotado, a língua do vencedor romano impera na Lusitânia. Toda a plebe acaba por falar vulgarmente o latim, mas era sem contar com a chegada de um bando de bárbaros germânicos, viciosos godos, de elmos na cabeça que não eram nada suaves e que travaram uma guerra feroz acabando por se instalar nas terras lusitanas e galegas. Estes povos que nem por isso eram assim tão bárbaros, adotaram os modos e os falares e as crenças das gentes daquelas terras acrescentando o seu linguado guerreiro. Viveram assim tranquilamente três séculos até que dos Algarves cavalgaram os mouros que vieram se instalar no Al-Andalus como chamaram e, diga-se a verdade, também trouxeram a luz dos sábios esquecidos que iluminaram as trevas da Hispânia adormecida e trouxeram técnicas, agricultura, comércio e palavras nada alambicadas para as nomear: laranja, açúcar, arroz, alface, azeite e todas as palavras em al cuja mais conhecida é o Algarve, o Ocidente.

O reino de Portugal e dos Algarves pouco a pouco se fez, assim o quis o grande Afonso Henriques e o galego-português se implantou e seu descendente, rei e trovador, Dom Dinis o oficializou e o encantou dando-lhe todo o seu amor nas catingas. Fernão Lopes nele a história contou, Garcia de Resende no Cancioneiro Geral o modernizou e João de Barros o normatizou. Assim renasceu o português!

Camões num brado épico o celebrou, Gil Vicente com ele brincou, Sá de Miranda em versos o sonetou, os navegadores portugueses o levaram aos quatro cantos do mundo, os jesuítas no Japão propagaram a fé e a língua. Palavras levaram e palavras trouxeram. Os japoneses agradecem, arigatô! Testemunha desta aventura no Japão foi Fernão Mendes Pinto que em nada mentiu, somente omitiu duas ou três coisas, mas fica perdoado como bom peregrino que foi. O Padre António Vieira, os índios tupis-guaranis no Brasil, evangelizou.

O português infatigável assim continuou o seu rumo…

Foi romântico com Almeida Garret, histórico com Alexandre Herculano, perdidamente amoroso e misterioso com Camilo Castelo Branco, farpado com Ramalho Ortigão, humilde com Antero de Quental, afrancesado com Eça de Queirós, impressionista com Cesário Verde, solitário com António Nobre, hermético com Fernado Pessoa, futurista com Almada Negreiros, dolorido com Mário Sá-Carneiro, musical com Camilo Pessanha, justiceiro com Miguel Torga, rústico com Aquilino Ribeiro, defensor do povo com Alves Redol, Manuel da Fonseca, sibilino com Agustina Bessa-Luís, encantador com Sophia de Mello Breyner, introspetivo com António Lobo Antunes e nobelizado com José Saramago! Mas tantos outros continuam a inová-lo, a inventá-lo a recriá-lo dentro e fora de Portugal!

Foi honorificado por Machado de Assis, popularizado por Jorge Amado e poetizado por Carlos Drumond de Andrade no Brasil. Foi crioulizado por Manuel Lopes e Baltasar Lopes em Cabo Verde, foi libertado por José Luandino Vieira, Pepetela, José Eduardo Agualusa e Ondjaki em Angola e foi reinventado por Mia Couto em Moçambique.

Cantado por Amália Rodrigues, Zeca Afonso, Chico Buarque, Bonga, Cesária Évora… o português não é de ninguém e é de todos nós, de todos os que o falam e o cantam nos quatro cantos do mundo!

Por isso viva a língua portuguesa que é o nosso pensamento, a nossa alma e o nosso futuro!

 

António Oliveira

Secretário Geral da ADEPBA

www.adepba.fr

 

P.S. A entrega dos trabalhos para o concurso escolar “5 de maio, Dia Mundial da Língua Portuguesa”, organizado pela ADEEPBA, prevista para o 11 de abril foi prolongada até o 30 de junho.

 

1 Comment Deixe uma resposta

  1. 5 de Maio – Dia Mundial da Língua Portuguesa

    Dia escolhido para festejar a língua portuguesa, a sua globalizacao, os seus falantes, a dimensao internacional do Português
    Infelizmente apenas se levantam, ou apenas têm direito a publicacao, as vozes do enaltecimento e do elogio daquilo que parece ter sido feito em volta da expansao da nossa língua.
    O positivo, ou aquilo que passa como positivo, tem lugar de destaque.
    Infelizmente nada vem a público, num dia em que seria importante fazê-lo, sobre a realidade do ensino do Português destinado às jovens e criancas portuguesas no estrangeiro, relegadas para segundo plano desde 2011, relativamente aos alunos estrangeiros, que o Instituto Camoes entendeu por bem privilegiar.
    Assim, em todos os países da Europa onde existem cursos de Língua e Cultura Portuguesas a cargo do citado Instituto, os alunos portugueses têm de pagar uma propina anual de 100 euros, agora, mesmo com pandemia, cobrada imediatamente após a inscricao e sem levar em conta os descontos previstos para os casos socais.
    Os meninos estrangeiros, que predominam em Franca e Espanha e que agora também podem ter aulas de Português no Luxemburgo, nao têm de se preocupar com estas coisas, porque sao inscritos através das escolas, sem qualquer transparência no respeitante a número de alunos exigido, e o melhor é que o ensino é GRATUITO, embora os professores sejam pagos por Portugal.
    Pois é verdade, e que seja dita e ouvida hoje!Os portugueses pagam por um direito constitucional e para os estrangeiros tudo é de graca.
    Além disso, e para dar prioridade aos ditos alunos, o Português é apenas lecionado como língua estrangeira, com manuais impostos dessa vertente e certificado a condizer.
    O que será que, por exemplo, Luís Vaz de Camoes ou o consagrado autor Eca de Queirós, que foi embaixador de Portugal em Franca, teriam a dizer sobre este estado de coisas?
    Eca de Queirós chegou a afirmar que “devemos falar mal, patriotiocamente mal, as línguas dos outros”.
    Possivelmente será algo exagerado afirmar isso. Mas que, certamente, nunca advogaria o princípio, relativamente às aulas de Português, “estrangeiros primeiro, portugueses depois”, que agora está a ser seguido, é indubitável.
    Porém hoje o actual sr. Embaixador de Portugal em Franca incentivou os pais portugueses a inscrever os filhos nos cursos de Português. lembrando até que o prazo termina no fim deste mês.
    O que, infelizmente, o Ex.mo Sr. Embaixador nao disse, e o Ex.mo Sr. Primeiro – Ministro também omitiu é que os lusodescendentes têm de pagar a propina para aprender a sua língua identitária como língua estrangeira, mas para os meninos estrangeiros tudo é gratuito, com Portugal a sustentar os custos.
    Será tal estado de coisas para festejar? Ou para envergonhar todos os que o permitem?

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