Presidente de Montalegre não teme “absolutamente nada” a chegada dos emigrantes

Orlando Alves, o Presidente da Câmara Municipal de Montalegre, diz que não teme “absolutamente nada” a chegada de muitos emigrantes ao concelho. “Desde a primeira hora, eu digo que não podemos alimentar a ideia que, com a vinda dos nossos, pode vir algo desagradável. Com a vinda dos nossos, só vêm coisas agradáveis, vem alguém que se instala na aldeia, que a dinamiza social, económica e culturalmente, vem alguém que partilha sentimentos, afetos e bens” disse numa entrevista “live” ao LusoJornal. “E vem aqueles que nos fazem tanta falta. Venham sempre, venham todo o ano, mas particularmente no mês de agosto, porque já nos habituámos de tal forma a que os nossos concidadãos que estão espalhados pelo mundo fora nos venham visitar nessa altura”.

O Presidente da Câmara diz que já se vê muitos emigrantes no concelho, “mas ainda não é a quantidade que eu esperava, e que nos faz falta”.

 

Montalegre vai organizar o Encontro dos investidores da diáspora

Orlando Alves foi entrevistado pelo LusoJornal porque Montalegre vai acolher, em 2022, o Encontro mundial dos investidores da diáspora. Estes encontros são organizados desde 2016, numa iniciativa do então Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro. Já tiveram lugar em Sintra, Viana do Castelo, Penafiel, Viseu. Este ano não terá lugar por razões óbvias de pandemia de Covid-19, no próximo ano vai ter lugar em Fátima e Ourém e em 2022 em Montalegre.

“A Senhora Secretária de Estado Berta Nunes esteve cá, nós colocámos-lhe este desafio e ela aceitou de imediato”. A governante foi a Montalegre para reunir com os concelhos do Alto Tâmega que têm Gabinetes de Apoio ao Emigrante, como Valpaços, Vila Pouca de Aguiar, Ribeira de Pena, Chaves e Montalegre.

Para quem quiser investir no concelho, Orlando Alves aconselha “sem dúvidas” o turismo. Evoca também a área da agricultura com a produção de vegetais e pecuária. “Mas aqui prevalece o minifúndio e este contexto não permite que as pessoas possam produzir aqui produtos locais de qualidade para vender aí em França ou nas zonas onde dos nossos emigrantes estão radicados, até porque o mercado é grande e ávido dos produtos da terra” diz ao LusoJornal.

Por isso, sugere os setores do turismo, nomeadamente a restauração e a hotelaria. “Montalegre tem eventos que concentram aqui dezenas de milhares de pessoas na feira do fumeiro, nas Sextas-feiras 13… o Parque Natural da Peneda Gerês está aqui ao alcance do nosso olhar, somos património agrícola mundial, temos um conjunto vastíssimo de barragens, a água é um recurso fundamental que falta um pouco por todo o país, mas na nossa região ainda temos em abundância” diz o Presidente da Câmara. “Não haver um hotel em Montalegre é uma falha gravíssima que nos paralisa. A Câmara municipal irá deitar mãos se não houver entretanto quem vier a fazê-lo”.

Orlando Alves quer também empresas de animação turística a trazer os turistas que visitam o Gerês.

 

Regresso dos emigrantes é importante

A Câmara municipal divulgou recentemente o programa “Regressar”, criado pelo Governo para incentivar os emigrantes a regressarem ao país, mas não se conhecem, para já, casos de regresso, na região, ao abrigo deste programa. “Não conheço caso nenhum e até admito que ninguém tenha aproveitado o potencial do programa. Acredito até que as pessoas tenham regressando, desaproveitando essa oferta que pode parecer ridícula, mas que está à medida das possibilidades que o país tem para oferecer”.

Até porque o Presidente da Câmara lembrou “o quanto o retorno dos nossos compatriotas que estavam em África, com as ajudas que o Estado deu na altura, dinamizou exponencialmente a economia e modernizou o país” e agora, considera que “não tenho dúvida nenhuma que vai haver uma segunda vaga com os nossos emigrantes que aprenderam a fazer turismo nas estâncias turísticas alpinas na França, na Suíça, na Áustria, na Itália, aqueles que em Londres levam uma vida de sacrifício… Essa gente aprendeu muito” e acredita que “muitos vão regressar, não tenho dúvida nenhuma, e vão dinamizar muito significativamente a nossa economia, vão modernizar o setor do turismo”.

Ainda na semana passada, Orlando Alves levou a Secretária de Estado a almoçar a um restaurante “feito com o dinheiro da diáspora, de uma família que esteve 18 anos em Londres e que decidiu regressar porque entenderam que lá não era vida, não sobrava tempo quase para dormir”.

Há dois anos, a Câmara municipal de Montalegre lançou um outro apelo aos lusodescendentes francófonos para se instalaram no concelho, com vista à abertura de um Centro de atendimentos da Altice, criando uma centena de postos de trabalho.

“Foi uma pena. A Altice exigia que tivéssemos pelo menos 100 pessoas a falar fluentemente francês. É verdade que nós fizemos uma grande campanha junto da nossa Comunidade em França no sentido de recrutar jovens que viessem para o concelho de Montalegre” explicou Orlando Alves. “Infelizmente o projeto morreu por não haver candidatos, apesar do Município de Montalegre se ter comprometido a ceder instalações à Altice”.

 

Feira de Nanterre é fundamental

Agora, Montalegre está a criar a Rede da Diáspora Barrosã. “A França é o país que acolhe mais emigrantes do Barroso, muitos na região parisiense, mas também em todo o país, por exemplo, as pessoas da minha aldeia estão todas em Clermont Ferrand” explica ao LusoJornal. “Os de Montalegre estão quase todos em Paris, há também núcleos na Suíça, em Londres, nos Estados Unidos – com uma Comunidade muito grande – no Brasil… eu costumo dizer que não haverá porventura país nenhum do mundo onde não haja um Barrosão a dar cartas”.

Todos os anos, o município marca presença na Feira de Nanterre. “É uma oportunidade para nos abraçarmos – e que saudades temos do tempo em que nós nos podíamos abraçar – e é também uma oportunidade para fazer contactos, o momento em que o Presidente da Câmara e os Vereadores que o acompanham, identificam o potencial económico das Comunidades. Depois há sempre meia dúzia de empresas que vão daqui e num fim de semana desgastante, conseguem escoar o seu produto”.

A vinda do município à Feira de Nanterre é, em geral, contestada pela Oposição municipal, mas Orlando Alves considera “fundamental” conviver com quem mora fora, “até para nos estimularmos uns aos outros e inclusivamente o Presidente da Câmara ser confrontado com situações até desagradáveis de pessoas que há muito tempo esperam pela estrada, pela ligação do caminho às suas propriedades, à casa dos seus pais, um encontro profundamente enriquecedor e eu lamento que este ano não tenha sido possível fazer a Feira de Nanterre, mas em 2021 lá estaremos”.

 

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1 Comment Deixe uma resposta

  1. Mas entao agora interessamos?

    O país em peso, assim como os representantes políticos da emigracao, com realce para a Ex.ma Sra SECP Dra Berta Nunes e o deputado do PS Paulo Pisco, que foram para Vilar Formoso recepcionar os portugueses que resolveram ir de férias a Portugal, pede, implora, aos seus concidadaos residentes no estrangeiro que venham fazer férias ao país de origem.
    Porque será que aliciar os emigrantes a fazer férias em Portugal se tornou agora uma prioridade?Terao deixado assim tantas saudades no seu país natal?
    Ou trata-se apenas de um estragema de foro económico, visto que, como os enormes contigentes de turistas britânicos, franceses, alemaes, holandeses, etc, deixaram de vir gastar dinheiro a Portugal devido à pandemia, pelo menos que venham os portugueses no estgrangeiro, aqueles que nem sequer eram assim tao desejados, pois a primazia era a 100% para os turistas estrangeiros, sendo que, ou por subserviência ou simples estupidez, muitos restaurantes no Algarve já nem tinham a ementa em português, mas apenas em inglês ou francês,com a deplorável desculpa ” aqui nao costumam vir clientes portugueses”.
    O idolatrado, elogiado, extremamente bem-vindo turista estrangeiro, a entrar de calcoes e chinelos em todo o lado, tratando os portugueses como seres de classe inferior, “já era”, como se costuma dizer.
    A galinha turística dos ovos de ouro deixou de pôr,e agora?
    Ora bem, entao agora vamos precisar mesmo dos portugueses, com ou sem Covid têm casa e família cá, pois venham eles e quanto mais melhor, pelos menos darao para tapar alguns buracos no orcamento…
    O rei turista estrangeiro morreu, viva o rei turista português!
    Atitude ditada pela premente necessidade, mas que ignora o que até agora é propositadamente ignorado, que os portugueses no estrangeiro enviam para Portugal anualmente cerca de 217 mil milhoes de euros, muito mais que os 130 mil milhoes atribuídos pelo fundo comunitário europeu a Portugal em 2018.
    Tanto dinheiro, e para quê? Para servicos consulares que deixam muito a desejar, para pagar 100 e mais euros por um passaporte, para ter de perder um dia de trabalho para deslocacao ao consulado mais próximo, a 200 ou 300 kms de distância.
    Isto para nao falar das aulas de Português a pagamento e com más condicoes para os filhos dos trabalhadores portugueses no estrangeiro, enquanto que os pintainhos estrangeiros, tal como os pais , galinhas dos ovos de ouro e com penas mais vistosas que os portugueses, continuam a ter aulas gratuitas, com professores portugueses pagos pelo governo português.
    Há quantos anos se espera que Portugal reconheca os direitos básicos dos portugueses no estrangeiro?
    Já vamos no terceiro governo do deixa-andar no respeitante às Comunidades…
    Lembrarem-se agora de nós para tapa-buracos do orcamento debilitado pela falta de turismo estrangeiro nao vale!

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