Opinião: Voto no estrangeiro – um desrespeito à dignidade dos portugueses


O recente posicionamento de Pedro Delgado Alves, Vice-Presidente do Grupo parlamentar do PS, sobre a simplificação do voto dos Portugueses residentes no estrangeiro é, no mínimo, decepcionante. A ideia de simplificar o processo de votação deve ser aplaudida, mas é inaceitável que o PS descarte, de forma tão leviana, o voto por correspondência e, pior ainda, que quase dê exclusividade ao voto presencial como a melhor opção.

Este posicionamento é um verdadeiro desrespeito para com os Portugueses no estrangeiro. Muitos, por questões de distância ou limitações logísticas, enfrentam deslocações longas, horas de espera e inúmeras dificuldades para exercer o seu direito de voto. As condições atuais já são desumanas, e a ideia de mantê-las é uma afronta para aqueles que, mesmo à distância, nunca deixaram de ser portugueses.

Sim, é urgente uma mudança, uma simplificação real. Contudo, essa mudança não pode ser feita à custa da exclusão de métodos mais modernos e acessíveis, como o voto online, que deve ser avaliado com urgência. O voto por correspondência, como está atualmente, apresenta vários problemas – erros, falhas de comunicação e bugs – é preciso avançar para um sistema mais eficiente, inclusivo e digno para todos.

Enquanto isso, o PSD tem apresentado propostas mais sensatas, como o teste ao voto eletrónico e a possibilidade de voto antecipado em mobilidade, que merecem ser seriamente consideradas pelo Governo. Embora representem pequenos passos, são avanços importantes. Além disso, campanhas de informação para os eleitores no estrangeiro são essenciais para garantir que todos possam votar de forma plena e informada.

É lamentável que o PS continue a ignorar a realidade das Comunidades portuguesas no estrangeiro. Pergunto ao Deputado Paulo Pisco, “representante do PS” no estrangeiro, o que pensa das declarações de seu colega de bancada. Como é que pode defender um discurso de proximidade com os emigrantes, quando as propostas do seu Partido, na prática, desrespeitam os emigrantes? Onde está a coerência entre o discurso, as propostas lá e cá?

Os Portugueses no estrangeiro são Portugueses com os mesmos direitos e a mesma dignidade. Merecem mais respeito. Merecem um sistema de voto que os trate com a seriedade que têm direito. Chegou a hora de o Governo ouvir e levar a questão para uma direção mais moderna e, sim, mais inclusiva!

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Mickaël Fernandes

1 Comment Deixe uma resposta

  1. Luís Mendes
    Candidato do RIR – Reagir, Incluir, Reciclar ao Círculo Fora da Europa

    Como candidato que representa milhares de portugueses fora da Europa, não posso deixar de expressar a minha profunda preocupação com o recente posicionamento do PS sobre o processo de votação dos nossos emigrantes. A exclusividade dada ao voto presencial demonstra um total desconhecimento da realidade vivida pelas comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo.

    O que o deputado Pedro Delgado Alves propõe, na prática, exclui milhares de portugueses do exercício de um direito fundamental — votar. Como explicar a um português que vive a centenas ou milhares de quilómetros do consulado mais próximo, que a única forma válida de participar é deslocar-se fisicamente? Estamos a falar de pessoas que trabalham, que têm filhos, que muitas vezes enfrentam contextos económicos e sociais difíceis nos países onde residem.

    É tempo de REAGIR, com soluções reais, práticas e modernas. O voto online deve ser estudado com urgência, com testes-piloto bem estruturados e transparência total. O voto por correspondência precisa de ser reformulado, com garantias de segurança e simplicidade. E devemos também criar condições para voto antecipado em mobilidade, para que quem viaja ou está temporariamente longe da sua área de residência possa votar.

    Ao contrário do que se tem visto, não podemos continuar a ter políticas feitas de Lisboa para o mundo, sem escutar verdadeiramente as pessoas que vivem essa realidade todos os dias. A diáspora portuguesa é leal, ativa e profundamente ligada ao seu país, e merece ter voz. Não é justo que continue a ser tratada como uma nota de rodapé no processo democrático.

    Esta é uma das minhas prioridades enquanto candidato do RIR. Representar com proximidade, com dignidade e com verdade. Não podemos continuar a prometer democracia enquanto criamos barreiras à participação.

    É hora de respeitar, incluir e valorizar os portugueses no estrangeiro. É hora de REAGIR!

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