Boa Notícia: «José tomou o Menino e sua Mãe e partiu para o Egipto»Padre Carlos Caetano·Boa NotíciaReligião·28 Dezembro, 2025 Quando falamos de “família”, pensamos numa casa sólida, afetos fiéis, mesa partilhada. A tradição cristã diz-nos que a família é comunhão na diversidade; é fraternidade. A família é lugar de respeito; é reconhecimento da dignidade de cada homem, mulher e criança. É hospitalidade; é sacramento de acolhimento. Eis o “modelo de família” que a tradição entrega aos filhos! O Evangelho deste domingo narra como a Sagrada Família conheceu a fuga e o exílio: Jesus, Maria e José foram refugiados, obrigados a deixar a sua pátria para procurar proteção em terra estrangeira. (O Evangelho revela, ilumina, ensina…) A Festa da Sagrada Família não se limita a venerar a família atípica de Nazaré, ou a catequizar os lares da nossa pequena comunidade. Esta Festa eleva a antiga tradição e convida-nos a meditar o significado da família universal: a Sagrada Família Humana! Os valores enumerados até agora (comunhão, fraternidade, respeito, acolhimento) não são apenas para a “minha” casa: são a lei da Família humana. Para lá das línguas, etnias e culturas diferentes, somos irmãos e irmãs. A Escritura é clara: «Fui estrangeiro e acolhestes-Me» (Mt 25,35); «Amai o estrangeiro» (Dt 10,19); «Não vos esqueçais da hospitalidade» (Heb 13,2). Acolher o estrangeiro não é filantropia: é Palavra de Deus! O que significa, então, “família cristã”? Não só cuidar dos “nossos”, mas alargar a mesa. Não só educar os filhos, mas conduzi-los ao caminho da fraternidade. Não apenas rezar diante do Presépio, mas reconhecer o Deus Menino em quem bate à porta. A Sagrada Família, refugiada, evangeliza-nos: arranca-nos da indiferença e desperta-nos para o facto de sermos irmãos. Talvez agora o Natal se torne história viva e as nossas casas se perfumem de Evangelho.