Opinião: António José Seguro_LusoJornal·Opinião·12 Janeiro, 2026 António Seguro é um profissional da política nacional, que construiu a sua carreira política no Partido Socialista, onde nasceu e se fez dirigente da Juventude Socialista, posteriormente Deputado à Assembleia da República. Desempenhou funções governativas como Secretário de Estado e Ministro-adjunto, integrando executivos do Partido Socialista e, no plano europeu, foi Deputado ao Parlamento Europeu. Dentro da estrutura partidária, exerceu cargos de direção estratégica, nomeadamente como Diretor do Gabinete de Estudos do PS e como Presidente do Grupo Parlamentar Socialista, coordenando a ação política da bancada e a articulação com os restantes órgãos do partido. Já entre 2011 e 2014, assumiu o cargo de Secretário-geral do Partido Socialista e exerceu igualmente funções no Conselho de Estado. A formação em relações públicas e ciência política, associada a uma trajetória política marcada por uma imagem pública serena, perfaz tudo o que o seu partido neste momento, necessita: alguém oriundo dos quadros socialistas, sem manchas, sério e sem polémicas, que se coloque numa posição de poder central como Presidente da República, para contribuir para um equilíbrio político entre PS e PSD e, num registo sereno e consensual, manter uma linha de continuidade institucional, sem grandes ondas, nem grandes mudanças, sem grandes reformas, alterações ou visões, sem falar de reformas radicais. É um mar calmo, sereno, onde as sereias cantam canções a enaltecer a imagem imaculada do político perfeito a seguir para o altar presidencial. Com um perfil ideal, o candidato perfeito sai dos quadros socialistas – formado nas artes da política e do politicamente correto -, a estratégia escolhida para a presente candidatura mostra o quanto é um verdadeiro profissional da política nacional, quando se apresenta “numa candidatura independente – apesar do apoio do PS”. Se isto não for humor – sendo tudo o que ele quiser e disser, porque pode dizer -, é certamente uma música: – harmoniosa e – melancólica, – serena e – parada, demais, – do muito sem ser nada, – mas tão chata que nos dá é sono. E é isso que a malta precisa: de nanar, para deixar que os profissionais nos possam continuar a governar. O que é certo é que este é o príncipe perfeito, e o PS, desta vez, apresentaram o perfil certo: moderado, calmo, de consensos alargados, conhecedor das instituições governamentais e dos seus corredores. Mas surge a pergunta: certo para quem? Quem é que quer continuar a apoiar as escolhas do Partido Socialista, ou candidatos independentes excessivamente consensuais, num Portugal que precisa é de uma verdadeira revolução de mentalidades e de uma radical “Mãe de todas as reformas” no Governo e nas instituições portuguesas? Não é com águas paradas, mas com fortes correntes que a mudança desejada acontecerá; além de que águas paradas são bonitas, mas provocam doenças. O ponto em questão é simples: a estagnação social prolonga-se há duas décadas e, em mais de três décadas, o PIB cresceu apenas um ponto percentual – de 81% para 82% -, apesar do volume histórico de fundos estruturais recebidos, cerca de 180 mil milhões de euros. O país tem uma carga fiscal brutal e revela fragilidades em praticamente todas as áreas e direções; nada é plenamente seguro, desde o acesso a uma cirurgia hospitalar até à sustentabilidade do sistema de pensões. Perante este cenário, quem, em consciência, pode sustentar que Portugal não precisa de mudar, desesperadamente? E de que Portugal estamos, afinal, a falar? Do país real, marcado por: Demografia: envelhecimento, desertificação e emigração qualificada. Economia: baixa produtividade e dependência de setores vulneráveis. Mercado de trabalho: precariedade, baixos salários, desemprego jovem e desajustes de competências. Estado social: saúde e educação “sob pressão”, pensões em tensão. Habitação: crise habitacional e custo de vida elevado, rendas insuportáveis. Coesão territorial: infraestruturas desiguais e serviços públicos insuficientes e ultrapassados. Inovação: baixo investimento em I&D e dificuldade de escala empresarial. Ambiente: incêndios, alterações climáticas e pressão sobre os recursos naturais. Governança: baixa confiança institucional e polarização. Justiça e segurança: lentidão judicial, corrupção e enriquecimento ilegal ao rubro e desafios de segurança urbana. . Um Presidente não governa, vão alegar os politicamente profissionais para nos embalar: mas orienta, sabemos nós. Não executa, mas influencia. Não legisla, mas define o horizonte político, simbólico e moral de uma nação. Num país que enfrenta bloqueios estruturais profundos – demográficos, económicos, sociais, institucionais e culturais -, escolher um perfil cuja principal virtude é a continuidade serena equivale, na prática, a aceitar que nada de essencial mude. Portugal não precisa apenas de estabilidade. Precisa: – de ambição, – de visão estratégica, – de coragem reformista e – de capacidade para romper com rotinas instaladas. Precisa de alguém que não seja produto do sistema que falhou, mas catalisador de uma nova cultura política, mais exigente, visionário, mais responsável e mais orientada para o futuro. Votar na manutenção pode ser confortável. Mas o conforto prolongado transforma-se em estagnação. E a estagnação, quando se institucionaliza, converte-se em declínio. Num tempo em que o país precisa de navegar em mar aberto, escolher um timoneiro que conhece apenas águas calmas pode revelar-se não apenas insuficiente, mas um risco estratégico para o futuro coletivo. Os portugueses são herdeiros de uma nação que ousou navegar em alto mar, muitas vezes em contravento. Está na hora de voltar a arriscar – e esse caminho começa no voto, saindo da mesmice para a mudança que queremos ver acontecer. . Pedro Brácaro Movimento Sinergias da Diáspora. Fontes – Governo de Portugal. (2025). Precisamos de uma nova ambição para Portugal. https://www.portugal.gov.pt/pt/gc25/comunicacao/noticia?i=precisamos-de-uma-nova-ambicao-para-portugal – Instituto Nacional de Estatística (INE); PORDATA. (s.d.). Indicadores demográficos, sociais e económicos de Portugal. https://www.ine.pt ; https://www.pordata.pt – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). (2024). OECD Economic Surveys: Portugal. https://www.oecd.org/economy/portugal-economic-snapshot