Saúde: Osteoporose – uma epidemia silenciosa_LusoJornal·Saúde·21 Janeiro, 2026 A osteoporose é uma doença óssea crónica caracterizada pela diminuição da massa óssea e pela deterioração da qualidade do osso, tornando-o mais frágil e suscetível a fraturas. É frequentemente descrita como uma “epidemia silenciosa” porque evolui de forma lenta e assintomática, muitas vezes sem qualquer sinal de alerta até ao momento em que ocorre uma fratura, com consequências potencialmente graves para a saúde e qualidade de vida. Em Portugal, a osteoporose afeta mais de 1 milhão de portugueses, sobretudo entre mulheres após a menopausa e idosos. O envelhecimento progressivo da população portuguesa faz com que esta doença represente um problema crescente de saúde pública. No nosso país, ocorrem cerca de 70 mil fraturas por ano associadas à osteoporose, o que corresponde a 8 fraturas por hora. Em pessoas com mais de 50 anos, 1 em cada 3 mulheres e 1 em cada 5 homens vão sofrer uma fratura. As fraturas, especialmente da anca, da coluna vertebral e do punho, são uma causa importante de internamentos, incapacidade e aumento da mortalidade, particularmente nos idosos. As fraturas vertebrais podem provocar dor crónica, perda de estatura e deformações da coluna, enquanto as fraturas da anca estão associadas a elevado risco de dependência, institucionalização e morte no ano seguinte ao evento. Apesar deste drama associado às fraturas, apenas 25% dos doentes estão a fazer tratamento, sobretudo pela ausência de diagnóstico. Perante este cenário, o rastreio assume um papel central. Identificar precocemente as pessoas em risco permite atuar antes da primeira fratura, que é precisamente o momento em que a doença deixa de ser silenciosa. O rastreio é especialmente importante em mulheres após a menopausa, homens mais velhos e indivíduos com fatores de risco, como história familiar de fratura, baixo peso, tabagismo, consumo excessivo de álcool ou uso prolongado de certos medicamentos. Felizmente, existe uma ferramenta de rastreio simples, gratuita e eficaz, designada FRAX (Fracture Risk Assessment Tool) disponível online AQUI. Este questionário pode ser preenchido em menos de 2 minutos e deve ser aplicado pelos profissionais de saúde a indivíduos de risco. O diagnóstico de elevado risco de fratura e osteoporose é estabelecido através do FRAX e da densitometria óssea. Este exame é simples, indolor e de baixa radiação e permite medir a densidade mineral óssea e estimar o risco de fratura. Além disso, na presença de uma fratura relacionada com osteoporose, o diagnóstico também por ser estabelecido independentemente da densitometria óssea. A boa notícia é que a osteoporose tem tratamento. Existem medidas eficazes para reduzir o risco de fraturas, nomeadamente medicamentos. As alterações no estilo de vida, mais importantes são medidas para prevenção de quedas. Além disso, a adequada ingestão de cálcio e vitamina D, exercício físico adaptado e cessação tabágica devem ser recomendados a todos os doentes. A terapêutica farmacológica está indicada a todos os doentes com osteoporose ou com risco de fratura elevado e demonstrou reduzir de forma significativa o risco de fraturas. Atualmente, existem muitas opções de medicamentos disponíveis que facilitam a adesão dos doentes. Em suma, a osteoporose é uma doença muito prevalente, silenciosa e potencialmente devastadora. Investir no rastreio e no diagnóstico precoce é fundamental, porque permite intervir atempadamente e prevenir fraturas. Reconhecer a osteoporose como uma prioridade em saúde pública é um passo essencial para envelhecer com mais autonomia, menos dor e melhor qualidade de vida. . Dr. Manuel Silvério António Reumatologista Sociedade Portuguesa de Reumatologia