Opinião: O resultado das últimas eleições Presidenciais


O voto é secreto e cada um sabe das razões por quem votou. Mas será que a emigração tem “la mémoire courte”, ou será que muitos deles recordam-se que, uma vez concluídos os seus estudos, foram convidados por um Primeiro-Ministro de 2011-2015 a emigrarem para o estrangeiro, levando com eles os seus diplomas, mas guardando como que uma cicatriz política?

Em 2024, tive a oportunidade de assistir ao desfile da Queima das Fitas na cidade do Porto em que muitos estudantes – enfermeiros, médicos, etc. – gritavam naquela tarde: “Pbrigado Papa, obrigado Mamã, mas agora tenho de ir para o estrangeiro”.

Será esta a razão que muitos dos jovens emigrantes votarem como um protesto?

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E os velhos emigrantes? Daqueles muitos que fugiram à ditadura do regime de Salazar e que parece terem, também eles, a memória curta?

Pode não ser um esquecimento do passado, mas uma punição aos Governos democráticos que, na sua visão, não resolveram problemas estruturais como a corrupção ou a burocracia, que permitissem os seus regressos a Portugal.

Esses mesmos “velhos emigrantes” que enriqueceram Portugal com as suas remessas e que agora pretendiam viver os últimos anos das suas vidas nas suas terras natais, mas Portugal rejeita-os tirando-lhes os médicos de família, tributando impostos indevidos, e muitas outras medidas discriminatórias.

Pior ainda, os sucessivos Governos portugueses, de Direita como de Esquerda, só os enganaram com discursos sobre, por exemplo, a representação dos mesmos através dos Deputados do círculo da emigração, muito aquém do que era suposto pesar em termos de números de Deputados para quase 5 milhões de emigrantes, nada terem alterado relativamente a votação dos emigrantes à distância, e muito mais…

Temos nós o direito e a razão de os acusar de terem a “mémoire courte”?

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Álvaro Rito

Lyon