Lusa | Manuel de AlmeidaPresidenciais’26: André Ventura diz que emigrantes “vão ser decisivos” na segunda volta_LusoJornal·Política·23 Janeiro, 2026 O candidato presidencial apoiado pelo Chega, André Ventura, esteve ontem em campanha eleitoral na Suíça e apelou à participação dos emigrantes portugueses na segunda volta das eleições, dizendo-lhes que, pela primeira vez na história democrática, o seu voto “será decisivo”. André Ventura não veio fazer campanha eleitoral na primeira volta às Comunidades, mas esteve ontem na Suíça. Contactado pelo LusoJornal, o Deputado do Chega José Dias Fernandes confirmou que não está prevista qualquer ação de campanha de André Ventura em França. Num jantar-comício na localidade de Volketswil, no cantão de Zurique, que juntou perto de 250 emigrantes, o líder do Chega, que, à chegada, já acusara PSD, mas também CDS e Iniciativa Liberal, de se juntarem ao “tacho de interesses” por manifestações de apoio ao candidato apoiado pelo PS, António José Seguro, apelou a uma participação em massa dos emigrantes na segunda volta para “mudar o sistema”, em que estão “todos contra um”. “Eles não queriam que vocês votassem e vocês votaram. Não queriam que passássemos à segunda volta, mas passámos. Agora estão todos contra nós. Mas quero dizer isto, e não só para esta sala e para os que estão aqui, mas para todos os emigrantes no mundo inteiro: é a primeira vez na nossa história democrática em que os emigrantes vão ser decisivos”, declarou. “Se 80% dos nossos emigrantes fora votarem, nós teremos um Presidente da República Portuguesa que quer cortar com o sistema. Se não votarem, teremos mais do mesmo com António José Seguro, e nós não podemos ter mais 10 anos de mais do mesmo”, disse. Sob gritos de “A 8 de fevereiro, Ventura é primeiro”, o candidato apoiado pelo Chega insistiu que os partidos do “sistema” estão a dificultar o voto dos emigrantes, ao exigir voto presencial, e disse que o fazem porque sabem que os votos de quem se viu forçado a sair de Portugal “não são no sistema”. Afirmando por diversas vezes durante a sua intervenção que os emigrantes são “tratados como portugueses de segunda” e “descartáveis”, enquanto os imigrantes que chegam a Portugal “têm tudo de mão beijada”, reiterou que a sua “principal missão” é levar os emigrantes portugueses “de volta”, mas para que tal aconteça é necessário que votem a 8 de fevereiro. “Não podemos continuar a importar o terceiro mundo para Portugal e gente que não acaba e deixar os melhores partir”, disse. Insurgindo-se contra o debate sobre se Portugal deve ou não um pedido de desculpas pelo seu passado colonial, André Ventura disse que “a única desculpa” que o país deve “é a todas as famílias que tiveram de sair de Portugal em busca de uma vida melhor”. No final do jantar-comício, André Ventura foi muito solicitado para ‘selfies’ pelos emigrantes que encheram o salão, num país que se tem revelado um ‘bastião’ do Chega: depois de já ter sido o partido mais votado nas eleições legislativas de 2024, com 32,62% dos votos, o partido de André Ventura reforçou em 2025 o estatuto de principal força política entre os emigrantes na Suíça ao obter 45,72% dos votos, com larga vantagem sobre a coligação PSD/CDS (13,67%) e o PS (8,69%), contribuindo para a eleição de um deputado pelo círculo da Europa. . Ventura acusa de Seguro de ter medo dos debates O candidato presidencial apoiado pelo Chega, André Ventura, acusou o seu adversário na segunda volta, António José Seguro, de ter “medo do escrutínio”, por apenas ter aceitado um debate televisivo antes das eleições de 08 de fevereiro. À chegada ao jantar-comício, comentando o anúncio de que terá um frente-a-frente com Seguro na RTP, SIC e TVI na terça-feira, naquele que deverá ser o único debate televisivo entre os dois candidatos à segunda volta das eleições presidenciais, lamentou que o seu adversário tenha “recusado” mais debates. “Houve uma proposta das três televisões, essa proposta foi aceite por nós, envolvia dois debates, um em cada semana de campanha, o que me parece razoável, com uma divisão por temas – segurança, saúde, imigração, relações internacionais, poderes presidenciais. E o candidato António José Seguro recusou-se a debater comigo nos moldes em que foi proposto e que já tinha sido aceite por nós. Isto é uma coisa: é medo. É medo do debate, é medo do escrutínio”, declarou. Segundo o líder do Chega, “o dr. António José Seguro quer fazer uma campanha passando pela campanha sem ter de dizer o que é que pensa sobre nada, fugir a todos os temas e pensar que pode ser Presidente da República sem ter uma opinião sobre nada”. Admitindo que “ninguém gosta de ter de passar por 20 debates antes de chegar a uma eleição, mas é a vida democrática e é a vida do escrutínio e da transparência”, André Ventura disse acreditar que “não é sério e não é justo” não ter oportunidade de debater com Seguro mais vezes. “E acho que mostra duas coisas: pouca segurança, talvez pouca confiança em si próprio, e medo do debate. E isso não é bom”, concluiu. De acordo com as televisões generalistas, o debate da próxima terça-feira terá 75 minutos de duração. . Ventura acusa Marques Mendes de se juntar a “tacho de interesses” e critica CDS e IL O candidato apoiado pelo Chega, também acusou Marques Mendes de se ter juntado ao “tacho de interesses” ao declarar o seu apoio a António José Seguro na segunda volta, dirigindo também críticas a CDS e Iniciativa Liberal. “Não é uma notícia que espante ninguém”, estranhando apenas que suceda três dias depois de o candidato apoiado pelo PSD na primeira volta ter dito que não endossaria os seus votos a ninguém. “Há três dias, o dr. Marques Mendes disse assim: “eu não endossarei os meus votos a ninguém, porque quero dar liberdade a quem votou em mim”. Agora, como todos, como o sistema está todo a unir-se e o sistema de interesses está todo à volta da mesma coisa, o dr. Marques Mendes entendeu que não devia ficar fora deste tacho de interesses, e então já quis apressar-se para vir juntar-se a ele”, declarou o líder do Chega. André Ventura afirmou que “toda a gente sabe que o PSD é mais ou menos igual ao PS, toda a gente sabe como é”, apontando que aquilo que estranha “é uma mudança de posição três dias depois de uma eleição”. Questionado se receia que o centro-direita se una à esquerda na segunda volta, no apoio a António José Seguro, candidato apoiado pelo PS, um pouco à imagem do que acontece em eleições presidenciais francesas para impedir o triunfo de Marine Le Pen, André Ventura disse que “isso está a acontecer, claramente”, alargando então as suas críticas também a CDS e IL. “Está-se a ver uma união de todos, da esquerda, da direita, do sistema todo, do sistema de interesses todo contra mim. Basta ver as televisões de manhã à noite, os jornais de manhã à noite, e é cada dia uma nova figura absolutamente improvável, algumas delas que andaram a dizer que queriam combater o socialismo a vida toda, e que agora subitamente se tornaram grandes apoiantes de um socialista. Eu não só temo que isso aconteça, isso está a acontecer”, começou por dizer. “O que me espantou, isso sim, mais do que PS e PSD, que eu sempre vi que são a mesma coisa, é o CDS e a Iniciativa Liberal correrem para este tacho também. É absolutamente devastador ver como, na verdade, não há espaço não socialista em Portugal para lá do Chega. O único espaço não socialista, o único espaço que não se revê neste tipo de sistema é o Chega e é esta candidatura”, completou. Marques Mendes anunciou ontem que votará em António José Seguro na segunda volta das eleições presidenciais por “uma razão de coerência”, considerando que “é o único candidato” que se aproxima de valores como “a defesa da democracia” ou a moderação. “É o único candidato que se aproxima dos valores que sempre defendi: defesa da democracia, garantia do espaço da moderação, respeito pelo propósito de representar todos os portugueses”, afirmou o candidato a Belém apoiado por PSD e CDS-PP na primeira volta, numa declaração ao semanário Expresso. Luís Marques Mendes explicou que, na noite eleitoral de domingo, quis separar a sua posição como candidato da sua posição pessoal.