
Convidado pelo LusoJornal a comentar os resultados eleitorais da eleição do Presidente da República, José Manuel Fernandes considera que a vitória de António José Seguro era “espectável, face àquilo que foi a passagem dos candidatos à segunda volta” e destacou, tanto em Portugal como no estrangeiro, “a mobilização”.
“Podia-se pensar que, face a alguns apelos, até para adiamento de eleições, pudesse haver aqui uma abstenção maior, o que não aconteceu, ainda que eu acho que estivesse na cabeça de todos os portugueses que António José Seguro ganharia as eleições”.
O Ministro da Agricultura foi interrogado pelo LusoJornal por ter sido cabeça de lista pelo círculo eleitoral da Europa nas últimas eleições legislativas. Foi aliás eleito Deputado, mas deixou o lugar a Carlos Gonçalves quando foi chamado a ocupar a pasta da Agricultura no Governo de Luís Montenegro.
José Manuel Fernandes espera que se entre agora num período de “estabilidade política” e considera que Portugal “precisa dessa estabilidade” porque “todos sabemos que o PRR acaba este ano, os fundos da política de coesão e da política agrícola comum têm regras específicas para a execução, tivemos uma tragédia enorme que exige um grande esforço nacional e financeiro e um grande esforço também em termos do Orçamento de Estado”.
O governante assume aliás que “essa estabilidade, eu acho que está conseguida e tenho uma boa expectativa em relação ao Presidente da República, António José Seguro, que também compreende a importância da Europa, ele já esteve no Parlamento Europeu. Olhando para os resultados na diáspora, ao contrário do que muitas vezes se diz, isto é praticamente um empate”.
Compreende, no entanto, que em França e na Suíça ganhou claramente André Ventura. “Há compromissos que foram assumidos em termos do próprio Governo, que nós temos que concretizar rapidamente. Alguns serão da responsabilidade da Assembleia da República e poderão ser mais difíceis face a necessidades de consensos, como por exemplo o voto eletrónico, que precisa da aprovação da Assembleia da República”.
José Manuel Fernandes evoca também as questões relacionadas com a tributação que também precisará da Assembleia da República. São pontos necessários e era importante esse consenso”.
Mas o Ministro considera que deva haver também “uma melhor comunicação, porque há muita falsidade que é transmitida e que não corresponde minimamente à verdade. Tem de haver uma comunicação muito mais forte” diz ao LusoJornal. “Um outro ponto que eu considero importantíssimo também é a questão do ensino da língua e os compromissos assumidos com os professores, que têm de ser, obviamente, respeitados”.
Se por um lado José Manuel Fernandes faz apelo à responsabilidade do Governo, por outro lado, apela aos consensos, nomeadamente sobre as questões eleitorais. “As pessoas não podem ter medo do voto dos nossos cidadãos que estão fora, dos portugueses que estão a residir num outro Estado Membro e mesmo fora da Europa. Não podemos ter medo desse voto”.
Apesar de ser Ministro da Agricultura, desde a última campanha eleitoral que José Manuel Fernandes mantém contactos intensos com as Comunidades de portugueses radicados no estrangeiro.






