O LusoJornal surge com nova identidade, mas nada foi criado por acaso


A nova imagem de um jornal não acontece por acaso. Há um processo, há objetivos, há orientações e há a realidade dos leitores.

Jorge Vilela, o Diretor criativo da Amostra de Letras, trabalhou sobre o ‘rebranding’ do LusoJornal e explica, nesta entrevista, como foi encarada esta mudança gráfica, tanto no logótipo do jornal como no seu novo site.

Era necessário avançar para um ‘rebranding’ tão profundo do LusoJornal?

O LusoJornal está numa fase de grande maturidade editorial e precisava de uma identidade que refletisse essa evolução. A marca cresceu, ganhou relevância e tornou‑se uma referência para a Comunidade lusófona em França. A identidade anterior já não acompanhava essa dimensão. O ‘rebranding’ surge, portanto, como uma resposta natural: reforçar a credibilidade, clarificar o posicionamento e preparar o jornal para o futuro.

A fusão gráfica entre “Luso” e “Jornal” é uma das mudanças mais visíveis. Qual foi a intenção por detrás dessa decisão?

A separação visual entre os dois termos criava uma leitura fragmentada. Ao unificá‑los num único bloco tipográfico – LusoJornal – reforçamos a ideia de instituição, de jornal no sentido pleno da palavra. Esta união transmite solidez, autoridade e uma presença mais forte. É uma marca que se assume com clareza e que comunica maturidade.

O ‘lettering’ foi totalmente redesenhado. Que princípios orientaram esse processo?

Tínhamos três prioridades: modernidade, legibilidade e versatilidade. Queríamos um ‘lettering’ contemporâneo, com formas limpas e equilibradas, mas que mantivesse a sobriedade própria da imprensa. A legibilidade foi essencial, porque a marca vive tanto no digital como no impresso. E a versatilidade garante que o logótipo funciona em qualquer contexto – editorial, institucional ou promocional – sem perder impacto. A ligação é feita com o recorte da letra “o” que abre o “jornal”.

A escolha cor institucional tem um simbolismo particular. Pode explicar essa opção?

Sim, o Pantone 7465 C não foi escolhida ao acaso. O azul remete para a credibilidade e para a história gráfica do LusoJornal. O verde, subtil, evoca a identidade portuguesa. A fusão dos dois cria uma tonalidade única, moderna e emocionalmente equilibrada. É uma cor que distingue o jornal no panorama mediático e reforça a dimensão “Luso”, que é central à marca.

Por que razão “Luso” surge em cor e “Jornal” em preto?

É uma forma de comunicar duas dimensões complementares. “Luso” representa a Comunidade, a cultura, a identidade – daí o uso da cor. “Jornal” remete para o rigor, a tradição e a seriedade do ato jornalístico – daí o preto, que também evoca a impressão offset. Este contraste cria uma hierarquia natural e um equilíbrio entre modernidade e tradição.

O website também foi redesenhado. Que visão orientou essa transformação digital?

A ideia foi criar uma experiência digital com alma de jornal. Hoje, muitos sites de notícias parecem portais generalistas, cheios de estímulos visuais. O LusoJornal quis ir noutra direção: privilegiar o texto, a estrutura editorial, a clareza. A página de entrada tem muita informação, mas organizada com rigor jornalístico. A estética aproxima‑se da imprensa de referência internacional, com separadores, hierarquias claras e um uso predominante do preto. É um ambiente digital que respira jornalismo.

Que desafios surgiram ao longo do processo?

O maior desafio foi equilibrar tradição e modernidade. O LusoJornal tem história, tem peso, e não queríamos perder isso. Ao mesmo tempo, era essencial projetar a marca para o futuro. Encontrar esse ponto de equilíbrio – visual, conceptual e emocional – foi o trabalho mais delicado. Mas é também o que torna este ‘rebranding’ tão consistente.

Que impacto espera que esta nova identidade tenha no futuro do LusoJornal?

Espero que reforce a confiança dos leitores, que torne a marca mais reconhecível e que lhe dê ferramentas para comunicar com mais clareza e ambição. Este ‘rebranding’ não é apenas estético; é estratégico. É uma base sólida para o crescimento do LusoJornal nos próximos anos.

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