Nos dois círculos das Comunidades, António José Seguro ganhou em número de votos e em número de países na Europa, na Ásia/Oceânia e em África. Na Europa teve mais 216 votos que André Ventura, em África mais 316 e na Ásia ganhou por 819 votos. Na América, António José Seguro perdeu por uma diferença de 2.537 votos, que desequilibrou o resultado e deu a vitória ao candidato da extrema-direita nas Comunidades, que teve mais 1.366 votos, ou seja, mais apenas 1,6% (42.788 votos para Ventura e 41.422 para António José Seguro).
É importante referir que a candidatura de António José Seguro teve 20 mandatários por país, 10 na Europa e 10 Fora da Europa, um caso inédito e que nenhuma das outras candidaturas teve, sendo o seu envolvimento e empenho importante para os resultados. Teve mandatários na Alemanha, Andorra, Bélgica, Espanha, França, Luxemburgo, Noruega, Polónia, Reino Unido e Suíça. Fora da Europa, na África do Sul, Angola, Austrália, Brasil, Cabo Verde, Canadá, Estados Unidos, Macau, São Tomé e Venezuela.
As vitórias por país dão uma noção bem expressiva de como os resultados foram positivos. Nas vitórias por país, António José Seguro ganhou em 51 países e André Ventura apenas em 14. Para termos uma comparação grosseira, nas últimas eleições legislativas o PS não teve vitórias nos países mais relevantes e teve menos 45 mil votos do que o Chega. Destes, 35 mil votos foram apenas na Europa.
Assim, na Europa, António José Seguro ganha em número de votos e em 23 países e André Ventura apenas em 4. Em África ganha em 10 países contra 4. Na Ásia e Oceânia, António José Seguro ganhou em 12 países e André Ventura em apenas 1, em Israel, o que também se pode prestar a leituras. A América é mais adversa para a Esquerda, mas mesmo assim, António José Seguro ganha em 6 países e André Ventura em 5, embora com menos votos, como foi referido.
A vitória de António José Seguro na Europa é particularmente relevante, dado que este continente concentra cerca de três quartos dos votantes e foi onde a candidatura de André Ventura mais apostou com a organização de autocarros com eleitores para irem votar, em clara violação da Lei Eleitoral para o Presidente da República, particularmente em países como a Suíça e a França. Já no Luxemburgo, onde o Chega em legislativas anteriores teve vitórias muito amplas, agora António José Seguro ficou a apenas 222 votos de André Ventura.
Curioso é também perceber que nos países escandinavos, Holanda, Reino Unido e Alemanha, onde existe uma emigração mais qualificada e/ou onde a presença e o efeito da Extrema-direita é mais forte, António José Seguro ficou à frente muito destacado, com mais de 70 por cento. Na Alemanha, onde houve 4.450 votantes, depois de conhecidos os resultados de Berlim, António José Seguro obteve 74,45% dos votos, contra 27,5% de André Ventura.
Já relativamente a África, onde António José Seguro ganhou em número de países e de votos, podem fazer-se as seguintes observações: Por um lado, nos países onde há maior tensão racial, como a África do Sul, Namíbia e Zimbabué, André Ventura ganhou à vontade, o que leva a supor que a mensagem xenófoba e anti-imigração tem os seus apoiantes nestes países. Em sentido oposto, nos países de expressão portuguesa, como Cabo Verde, Angola, Guiné e Moçambique, onde há maior atenção e sensibilidade para o que se passa em Portugal, António José Seguro ganha em alguns de forma esmagadora, como aconteceu em Cabo Verde, onde obteve 94% dos votos (834-53).
Na América, os países com mais eleitores deram a vitória a André Ventura, como o Canadá, o Brasil e a Venezuela, embora em todos eles se verifique alguma recuperação no número de votos e algumas vitórias em Consulados no Canadá e nos Estados Unidos, certamente também com o contributo dos mandatários da candidatura de António José Seguro. Nos Estados Unidos o efeito das políticas anti-imigração da Administração Trump certamente que também retirou vantagem a André Ventura, porque ganhou por apenas 27 votos.
Para finalizar, uma referência a Comissão Nacional de Eleições, que foi totalmente ineficaz nos alertas preventivos para que a Lei Eleitoral para o Presidente da República fosse respeitada, para evitar a fraude eleitoral, tal como previsto no artigo 143º e no Código Penal. É claro que havia coisas urgentes para deliberar, como pôr fim ao clamor que pedia o adiamento das eleições, mas é inaceitável que não tivesse havido uma posição pública depois da denúncia clara que foi apresentada pela candidatura de António José Seguro, com factos e fotos dos apelos nas redes sociais, dos autocarros e dos alimentos dados aos eleitores. Isto levou a que a instituição CNE tivesse sido totalmente ignorada pelos eleitores que violaram a Lei, tendo havido alguns deles a dizer que a Lei portuguesa não se aplica no estrangeiro, o que não é verdade.
O perigo é que isto abre a porta a todo o tipo de esquemas eleitorais fraudulentos que podem falsear a verdade dos resultados eleitorais e que constitui, portanto, um atentado às regras da democracia que estabelecem a lisura de procedimentos para que candidatos disputem as eleições em igualdade de circunstâncias.
.
Paulo Pisco
Ex-mandatário para a Diáspora da candidatura de António José Seguro à Presidência da República





