LusoJornal | Carlos Pereira

Morreu Marie-Anne Cantin Dias, dona da queijaria mais conhecida de Paris


Morreu Marie-Anne Cantin, proprietária da “melhor queijaria de Paris”, a “Fromagerie Cantin”, na rue du Champs de Mars, a dois passos da Tour Eiffel.

“Costumo dizer que nasci dentro de um Camembert” disse Marie-Anne Cantin numa entrevista ao LusoJornal. “Mas no fundo, estou a mentir quando digo isto, porque eu nasci em abril e os meus pais criaram esta casa em setembro de 1950, no ano em que nasci”.

Com 20 anos, Marie-Anne Cantin jurava a pés juntos que não queria ter a profissão dos pais, mas “finalmente caí na marmita” confessou ao LusoJornal. Em 1982 instalou a queijaria familiar na rue du Champs de Mars, com o marido, Antoine Ferreira Dias.

“Ela disse ‘até logo’ ao seu amor depois de 50 anos de vida em comum, uma vida em que trabalhámos juntos sem nunca conhecer uma rutura, exceto na noite, durante uma violenta rutura de aneurisma. Estranhamente, foi um desaparecimento de uma rapidez fulgurante. Estávamos os dois na nossa loja, envolvida pela luz suave do fecho; ela oferecia‑nos Molière em palco, e disse‑nos adeus. Sim, foi exatamente isso que aconteceu. Um segundo depois, ela estava nas estrelas, contemplando os queijos da sua loja e os seus produtores”. Foi assim que o marido, Antoine Dias, anunciou, ontem à noite a morte de Marie-Anne Cantin.

Antoine Ferreira Dias é natural de Paços de Ferreira. Os pais emigraram em 1960. “Primeiro veio o meu pai e depois a minha mãe, mas a seguir à Revolução em 1974 eles regressaram a Portugal e eu decidi fazer a minha vida aqui”.

Em jovem nunca pensou trabalhar com queijos, mas a vida fez com que em 1968, também ele caísse na marmita! “E acabou por ser uma paixão”, confessa.

A Fromagerie Cantin tem mais de 180 variedades de queijos, mas também vende alguns vinhos portugueses, «que acompanham maravilhosamente os queijos», preparações de fruta e até marmelada.

Marie-Anne Cantin conhecia Portugal desde que casou e foi em Lua de Mel para Montegordo, no Algarve. Percebia quando lhe falavam português, mas não se sentia à vontade para se exprimir na língua de Camões. “O país evoluiu imenso. Antigamente apenas se viam alguns queijos como aquelas bolas vermelhas, com pouco sabor… e depois descobri o queijo da Serra da Estrela que é extraordinário” contou ao LusoJornal.

Era uma “mulher livre, autêntica, honesta, que amava as pessoas bonitas, os seus clientes, uma mulher excecional”. É assim que a descreve Antoine Dias. “Temos de continuar a viver com as suas memórias. Marie‑Anne Cantin Dias”.

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