Seminário sobre escritoras portuguesas na primeira fase do Estado Novo na Universidade de Paris Nanterre


A Universidade de Paris Nanterre vai acolher, esta terça-feira à tarde, dia 17 de fevereiro, um seminário em língua portuguesa da Professora Ana Paula Ferreira, da University of Minnesota, dedicado às mulheres escritoras portuguesas na primeira fase do Estado Novo, intitulado “Ao encontro das ‘mais lidas e mais ouvidas’: o surto da mulher escritora em Portugal na primeira fase do Estado Novo”.

O seminário tem lugar, na sala 210 da UFR Langues (Bât. Ida Maier), no quadro de um ciclo de seminários organizado pelo Centro de Pesquisas Interdisciplinares sobre o Mundo Lusófono – CRILUS e pela Cátedra Lindley Cintra do Instituto Camões, da Universidade Paris, em parceria com o Leitorado de Português / Universidade Paris 8 e a Casa de Portugal André de Gouveia.

“À medida que o Estado Novo consolida os seus princípios morais sobre a sociedade portuguesa, surge um número sem precedentes de coletâneas, contos e novelas escritos por mulheres. Esta vaga de ficções curtas – que mais tarde dará lugar ao romance – traduz-se numa rejeição da chamada ‘literatura feminina’, isto é, uma poesia sentimental desvalorizada pela crítica da época. É neste contexto que aparecem Irene Lisboa, Adelaide Félix, Maria Archer, Raquel Bastos, Lília da Fonseca, Heloísa Cid, Manuela Porto, Patrícia Joyce, Natércia Freire, Maria da Graça Freire e Matilde Rosa Araújo, entre outras” lê-se na nota de informação. “O seminário destacará uma visão geral de alguns dos temas abordados, em diálogo – e frequentemente em oposição – com as considerações do regime salazarista sobre género, sexualidade, classe e colonialismo. À luz de uma perspetiva feminista e interseccional dos estudos culturais, poderemos compreender como os relatos das mulheres dos anos 1940 constituem arquivos histórico‑culturais cuja recuperação e catalogação se torna urgente, não apenas por razões literárias, mas também porque explicam como o presente carrega os traumas desse passado, que perdura muito para além da democratização e da descolonização recentemente celebradas pelo seu cinquentenário”.

Ana Paula Ferreira é professora emérita do Departamento de Estudos Espanhóis e Portugueses da Universidade do Minnesota, em Minneapolis, investigadora do IELT, onde participa no projeto “Escritoras de língua portuguesa na época da ditadura militar e do Estado Novo em Portugal, em África, na Ásia e nos países de emigração”, da Universidade Nova de Lisboa; e investigadora do Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

É doutorada em estudos luso‑brasileiros pela Universidade de Nova Iorque. Entre outras linhas de investigação, tem-se dedicado à redescoberta das mulheres escritoras da primeira fase do Estado Novo, abordando temas como subjetividade, desejo e género sexual.

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