Opinião: Revolta Social – Como corrigir os nossos erros?


Somos humanos e, infelizmente, ninguém é perfeito. É nosso dever corrigir os nossos erros. Deixemos de culpar os outros; a democracia é imperfeita, certamente, mas é um bem precioso, e é nossa responsabilidade, enquanto cidadãos, corrigir esses erros.

A liberdade numa democracia significa saber que temos direitos, mas também estarmos conscientes de que a nossa liberdade termina onde começa a dos outros. Por outras palavras, é necessário saber viver em democracia, conhecendo os nossos direitos e os nossos deveres! Por vezes, alimentamos injustiças contra pessoas inocentes, ignorando as acusações contra elas, e glorificamos manipuladores com poder enganador, dignos da máfia. É por isso que os melhores estadistas, aqueles que nos poderiam governar, nunca terão a oportunidade de se candidatar, seja porque são honestos e não procuram incentivar o vício, seja porque as suas palavras nem sempre estão alinhadas com os nossos desejos. Mas isso não significa que sejam eles que mais poderiam contribuir para melhorar a nossa sociedade!

Além disso, acusamos todos de roubo, corrupção e por aí fora! Sem dúvida, os nossos políticos fizeram tudo para nos trazer a este ponto.

Costuma dizer-se que “A oportunidade faz o ladrão”. Mas, se invertermos a frase, ela passa a ser: “O ladrão aproveita a oportunidade”. Vejamos! Se o ladrão já existe, então devemos escolher as pessoas certas; quando escolhemos pessoas para cargos de responsabilidade, temos o dever de escolher pessoas honestas, não com base na sua aparência, nas suas palavras, nos seus amigos ou na sua família – por vezes, precisamos de ter cuidado! Aqueles que nomeiam pessoas incompetentes para cargos de responsabilidade devem também ser responsabilizados pelos seus atos. Diz-se que o silêncio implica consentimento. Se estamos a assistir a uma revolta social, é porque há culpados, e a justiça deve ser igual para todos, tanto para aqueles que agiram de forma terrivelmente errada como para aqueles que consentiram que isso acontecesse.

Há algumas décadas, apreciávamos boa música e poemas que inspiravam sonhos! Infelizmente, vivemos hoje num mundo dominado por uma música ensurdecedora, cujas letras nos escapam, uma cacofonia incessante. É assim que apreciamos a música: através de palavras vãs proferidas por políticos novatos que nos tentam convencer de que devemos apreciá-la.

Que nunca nos esqueçamos de que um estadista sério não precisa de proclamar ao mundo inteiro o que deve ser feito para melhorar a vida do seu povo; prefere concentrar-se na ação em vez de perder tempo a acusar os outros de má gestão ou roubo. Estes radicais, que afirmam possuir a verdade absoluta e todas as soluções possíveis, recusam-se a responder a perguntas que esclareceriam as coisas e proferem disparates incoerentes sem oferecer uma única solução, levando-nos a questionar se queremos realmente charlatães no comando das nossas instituições.

Com a abundância de informação disponível e uma população mais instruída do que nunca, somos incapazes de distinguir a verdade da mentira e, pior ainda, perpetuamos a desinformação! Que tipo de mundo queremos deixar às gerações futuras? Transformar imagens ou vídeos para entretenimento é compreensível, mas criar vídeos, fotos ou mensagens falsas para prejudicar vítimas, ou pior, para enganar e explorar os mais vulneráveis, constitui, na minha opinião, a pior forma de abuso.

Quando as nossas leis precisam de ser alteradas, isso deve ser feito por figuras políticas reconhecidas e respeitadas, nunca por canalhas ou impostores. Aqueles que aspiram a um mundo melhor, em vez de criticar, devem agir e contribuir para a solução dos problemas. Os insultos, o desrespeito e a grosseria são inúteis; apenas incentivam o mau comportamento e, como diz o ditado, o mau comportamento gera mais mau comportamento.

Acredito que, quando os cidadãos incitam continuamente o ódio, a raiva e as mentiras infundadas nas redes sociais, devem ser punidos pelas próprias plataformas; caso contrário, o Estado deve impor multas pesadas a estas redes.

É lamentável que, mesmo após as eleições, aqueles que desrespeitam as regras continuem a distorcer a realidade, acusando e insultando abertamente, sem qualquer pudor. Sem um mínimo de diplomacia entre os cidadãos, criamos o caos e todos perdem.

Nada como um sonho para construir o futuro. Apostemos todos num Portugal mais belo e atraente do que nunca.

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José da Rocha

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