Programa especial da Rádio Alfa juntou dezenas de associações de solidariedade para com as vítimas do mau tempo em Portugal


Cerca de 20 associações com ações de solidariedade em curso para apoiar as vítimas das tempestades Kristin, Leonardo e Marta, participaram ontem num programa especial da rádio Alfa, numa iniciativa do coletivo “Todos Juntos”, precisamente para coordenarem, juntos, as ações de solidariedade.

O programa, considerado “histórico” pelo jornalista Didier Caramalho, que conduziu as entrevistas, começou com uma intervenção da Cônsul-Geral de Portugal em Paris, Mónica Lisboa, que destacou as ações de solidariedade dos Portugueses residentes em França e louvou o espírito de entreajuda das associações portuguesas. Seguiu-se depois uma mensagem do Presidente da Câmara municipal de Leiria, Gonçalo Lopes.

Presidido por Manuel Pinto Lopes, também animador da rádio Alfa, o coletivo Todos Juntos é dirigido ainda por Fernando Lopes, Diretor-Geral da rádio, Joaquim Barros e Armindo Freire.

O coletivo foi constituído em 2020, durante a pandemia de Covid “quando foi necessário unir as forças do mundo associativo para tentar ajudar as pessoas com mais necessidade” explicou ao LusoJornal Fernando Lopes. “Neste momento são 20 associações, das mais importantes que conhecemos aqui da região parisiense, que estão a unir-se. Não é para tentar fazer só uma operação, porque cada uma delas faz os seus eventos. Mas, o mais difícil para elas é tentar saber onde é que elas têm de entregar a ajuda e que tipo de ajuda é necessária, se é roupa, se é alimentação, se são ferramentas, se são telhas ou lonas… E Todos Juntos está a fazer esse papel, que é de reunir tudo, para poder depois entregar, quanto mais depressa possível, às cidades, às vilas e às Juntas de freguesia que nos estão a pedir diariamente ajuda”.

A própria mulher de Fernando Lopes, Clotilde Lopes, deslocou-se a Portugal para trazer a mãe, com 85 anos, que mora sozinha numa casa em Monte Real. “Como sabem, não havia telefone, não se conseguia falar com ninguém” conta ao LusoJornal. “Foi uma angústia terrível”.

Quando chegou a Portugal “foi terrível. Tive um sentimento de… nem sei explicar. Foi uma coisa que mexeu mesmo muito comigo. Eu nem podia olhar por certos sítios, todos os sítios onde era só arvoredo, agora nada, nada, nada, estava tudo no chão, casas que eu conheço desde pequena, sem telhado, barracões que já não existiam…” conta Clotilde Lopes.

“Quando surgiu a tempestade, achámos que, por muito fortes que fôssemos no coletivo Todos Juntos, necessitávamos também da adesão do movimento associativo português aqui por terras de França. E é verdade que muitas associações aderiram. Concretamente, hoje estão aqui cerca de 20 associações representadas ou presentes” afirma Manuel Pinto Lopes, o Presidente do coletivo.

“Hoje é como se fosse a Seleção nacional a jogar. Hoje somos todos portugueses, somos todos do centro de Portugal, somos todos vítimas. Eu sou do Norte, mas somos todos vítimas das cheias, das tempestades, e estamos atentos àquilo que em Portugal precisam da nossa ajuda”. A acrescenta que “sozinhos podemos fazer alguma coisa, mas todos juntos, conseguimos esta onda de solidariedade, desde transportadores a empresas, restaurantes, associações, mesmo pessoas em título individual que estão a levar ajuda aos diferentes pontos de recolha, desde géneros alimentícios até lonas, cobertores, recheios para casa, etc.”.

Na antena da Alfa, sucederam-se, durante praticamente 90 minutos, dirigentes das associações Coletivo Todos Juntos France, Academia do Bacalhau de Paris, Associação ASCOP Cravos Dourados de Livry-Gargan, Estrelas do Mar de Nogent-sur-Marne, ARCPF de Fontenay-sous-Bois, Lusitanos de Saint Maur, Les Lusophones du Perreux, Capelania Saint Antoine 15/20, APSCR de Champigny-sur-Marne, APCS de Pontault-Combault, Association Portugaise de Bienfaisance de Raincy, Club des entreprises de Boissy-Saint-Leger, Os Minhotos de Clichy,…

Patrick Mateus é gestor de empresas de transporte nos trabalhos públicos e faz reciclagem de mosaico e de produtos informáticos. Tem sido uma peça importante nesta onda de solidariedade. Um primo, ao telefone disse-lhe que a região centro do país “parecia um cenário de guerra, e que, se calhar, a guerra não tinha feito tantos estragos”.

Mas Patrick Mateus é também Presidente de associação folclórica de Livry-Gargan, que, por acaso tinha uma Assembleia Geral nesse dia. “Antes de abrir a assembleia, disse que a situação estava muito complicada em Portugal, e eu achava que tínhamos de fazer qualquer coisa, para além do folclore”. Os sócios aderiram à ideia, decidiram logo disponibilizar uma verba para comprar toldes e mandar diretamente para Portugal, para proteger as casas que ficaram sem telhado ou sem telhas. Primeiro era para ajudar uma aldeia e depois a onda foi-se alargando.

Patrick Mateus conseguiu que um transportador se oferecesse para levar o material para Portugal, gratuitamente. “Estamos, por enquanto, em mais ou menos 68 toneladas de material. Em primeiro lugar seguiram lonas, cordas, um bocadinho de material de construção, como luvas, alguns baldes também. Depois temos mandado conforme o que a Proteção Civil e as câmaras municipais nos pedem” explica ao LusoJornal, sabendo que as zonas mais devastadas são Marinha Grande, Figueira da Foz, Leiria, Pombal e Ourém. “Agora têm-nos pedido roupa de camas, lençóis, cobertores, porque há pessoas que, infelizmente, perderam tudo nesse desastre, e vamos tentar ajudá-las”.

A emissão especial da rádio Alfa neste dia 17 de fevereiro “espelha essa energia de união e reforça a mensagem de que, mesmo nos momentos mais difíceis, a solidariedade continua a ser uma das forças essenciais da sociedade: todos juntos somos mais fortes” concluiu Didier Caramalho.

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