Arqueólogo João Zilhão é doutor “honoris causa” pela Universidade de Bordeaux


O arqueólogo e coordenador do Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa, João Zilhão, recebeu no passado dia 24 de fevereiro um doutoramento “honoris causa” pela Universidade de Bordeaux. O Embaixador de Portugal em Paris, Francisco Ribeiro de Menezes e o Cônsul-Geral de Portugal em Bordeaux, Miguel Brito e Abreu, representaram Portugal na cerimónia.

Para a Universidade de Bordeaux, João Zilhão é “um arqueólogo português de renome internacional, especializado em pré-história europeia”, que “dedicou a maior parte da sua carreira ao estudo das sociedades paleolíticas, dos Neandertais e das primeiras populações de Homo sapiens na Europa”.

A cerimónia no dia 24 contar com intervenções do Presidente da Universidade de Bordeaux, Dean Lewis, e do Embaixador de Portugal em Paris, Francisco Ribeiro de Menezes, tendo estado o elogio académico a cargo do Diretor de investigação do laboratório Da Pré-História à Atualidade: Cultura, Ambiente e Antropologia, Francesco d’Errico.

“João Zilhão dedicou-se inicialmente à arqueologia pré-histórica e ao período Paleolítico. Realiza extensos trabalhos de campo na Península Ibérica e no sudoeste da Europa, combinando escavações, análises cronológicas e reflexões teóricas sobre a evolução humana”, lembra a biografia publicada pela academia francesa.

Além da Universidade de Lisboa, lecionou noutras universidades europeias, nomeadamente em Bristol, no Reino Unido, e Barcelona, em Espanha. “A sua investigação centra-se principalmente nos períodos Paleolítico Médio e Superior, na transição entre Neandertais e humanos modernos, e na cronologia e interpretação da arte paleolítica”, afirma a Universidade realçando que “desempenha um papel fundamental nos debates científicos internacionais sobre as capacidades simbólicas dos Neandertais, defendendo a hipótese da continuidade cultural e cognitiva entre os diferentes grupos humanos do Plistocénico”.

João Zilhão contribuiu de forma decisiva para o estudo e preservação das gravuras rupestres no Vale do Côa, lê-se no ‘site’ da Universidade de Bordeaux, recordando, que, nomeado em janeiro de 1996 pelo Governo português, foi incumbido da criação do Parque Arqueológico do Vale do Côa, da coordenação da investigação científica sobre a datação da arte rupestre paleolítica e da preparação da candidatura do sítio a Património Mundial, culminando com a sua inscrição em dezembro de 1998.

Entre 1997 e 2002, dirigiu o Instituto Português de Arqueologia, englobado posteriormente na Direção-Geral do Património Cultural.

Segundo a universidade francesa, “é um dos investigadores mais citados em todo o mundo na área da arqueologia, o que atesta o impacto duradouro do seu trabalho na disciplina”.

Em 2003, João Zilhão foi distinguido com o Prémio de Investigação da Fundação Humboldt pelas “suas realizações passadas no ensino e na investigação” e com o Prémio Europa da Sociedade Pré-histórica de Londres, em 2005, pela “sua contribuição significativa e duradoura para o estudo da pré-história europeia”.

“Os seus laços com a Universidade de Bordeaux são antigos e fundamentais. Desde o final da década de 1990, mantém uma estreita colaboração com equipas de investigação, resultando em numerosas publicações conjuntas, orientações conjuntas de doutoramento, participação em conferências internacionais e envolvimento em organismos de avaliação científica, contribuindo, assim, de forma duradoura para o destaque da investigação arqueológica em Bordeaux”.

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