A sala de festas da União Luso Francesa Europeia (ULFE) encheu-se de música e tradição no passado sábado, mas a afluência de público ficou aquém das expectativas da organização.
No passado sábado, dia 7 de março, a Comunidade portuguesa de Dijon reuniu-se na sede da ULFE para uma noite dedicada à música popular. O evento, que prometia trazer um “cheirinho” de Portugal à Bourgogne, contou com a presença da conhecida cantora Cláudia Martins e os seus Minhotos Marotos.
Uma noite de ritmo e identidade
A festa arrancou pelas 21h00, com o DJ Matteo Ferreira a aquecer a pista de dança. Contudo, o momento não foi apenas de diversão, mas também de afirmação da identidade portuguesa.

Pelas 23h00, após uma breve pausa, a atenção virou-se para as intervenções oficiais. António da Costa, Presidente da ULFE, recebeu o Cônsul-Geral de Portugal em Lyon, João Marco de Deus, que aproveitou a visita à associação para deixar uma mensagem marcante.
O Cônsul sublinhou a importância vital da transmissão da língua: “Devemos ter orgulho em falar a nossa língua, que é uma das mais faladas no mundo. É fundamental que os pais falem português com os seus filhos em casa”.
As palavras do diplomata foram recebidas com uma forte ovação, ecoando o sentimento de orgulho dos presentes, antes de Cláudia Martins subir ao palco para um espetáculo vibrante, repleto de cantigas populares, danças e as habituais “marotices” que caracterizam o grupo minhoto.

O desafio da participação comunitária
Apesar da alegria que se vivia no recinto, o balanço final trouxe uma nota de preocupação por parte da Direção da ULFE. Com pouco mais de duas centenas de pessoas presentes, António da Costa não escondeu alguma amargura perante o número de adesões.
“É um pouco mais de duas centenas de pessoas, o que não é mau, mas francamente esperava que os portugueses respondessem mais a este tipo de evento”, desabafou o Presidente. António Costa lamentou ainda a contradição de alguns membros da Comunidade: “Se não se faz nada, queixam-se; e quando realizamos, não aparecem”.
É, de facto, difícil de compreender como é que numa cidade como Dijon, onde residem cerca de 5.000 portugueses e lusodescendentes, a participação não seja mais expressiva. Manter viva uma associação e promover a nossa cultura exige esforço e investimento. Sem a presença e o “bairrismo” da Comunidade, corre-se o risco de perder estes espaços de união que tanto nos definem no estrangeiro”.







