
A lusodescendente Sónia Ribeiro foi eleita para o Conselho municipal de Bléneau (89), no departamento de Yonne, naquela que foi a sua primeira participação numa eleição em França. A candidata, que inicialmente “não esperava um resultado expressivo”, acabou por protagonizar uma progressão notável entre as duas voltas do escrutínio, alcançando a segunda volta, realizando uma fusão de listas e garantindo a eleição, mesmo se na Oposição.
Na primeira volta da eleição, Sónia Ribeiro, à frente da lista “Un nouvel élan pour Bléneau”, obteve 13,47% dos votos expressos (80 votos), ficando em terceiro lugar, atrás das listas de Florimond Lemitre e do Maire cessante Alain Drouhin.
Logo no dia seguinte da primeira volta das eleições, aconteceu um facto inédito: o Maire cessante, Alain Drouhin, propôs uma fusão com a lista de Sónia Ribeiro, mas foi mais longe, ao deixá-la assumir a liderança da lista e ser Maire, em caso de vitória.
“Propus uma fusão aberta e ambiciosa” afirmou ao antigo Maire à imprensa local, explicando que retomou 6 elementos da lista de Sónia Ribeiro, e integrou na sua própria lista, que tinha 15 elementos. “Mas também quis uma alternância e propus à Sónia Ribeiro que fosse ela a conduzir a lista e não eu. Quis que esta mulher com experiência e competência pudesse dirigir a lista e, quem sabe, aceder às funções de Maire” explicou Alain Drouhin antes da eleição deste domingo.
Alain Drouhin foi Maire da cidade entre 2001 e 2017 e voltou a ser eleito em 2020.
A lista conjunta alcançou 39,72% dos votos (253 votos) este domingo, garantindo 3 lugares no Conselho municipal – um deles para Sónia Ribeiro e outro para Alain Drouhin. A lista vencedora, “Bléneau, un nouvel espoir”, liderada por Florimond Lemitre, obteve 60,28% e elegeu 12 dos 15 Conselheiros.
Com 904 eleitores inscritos e uma participação de 71,79%, Bléneau viveu uma eleição marcada pelo envolvimento cívico e por uma dinâmica rara numa pequena comuna rural: três listas no primeiro turno e duas listas reforçadas no segundo.
A eleição de Sónia Ribeiro ganha particular relevância porque a lusodescendente “não tinha qualquer ambição política inicial”. Aceitou integrar uma lista “por espírito de serviço e proximidade com a comunidade”, sem imaginar que o seu nome acabaria por pesar nas negociações entre listas e que seria escolhida para ocupar o lugar de cabeça de lista na fusão que disputou a segunda volta.






