Barcos para transporte ecológico de mercadorias em França estão a ser fabricados em Portugal


O primeiro barco da empresa “Urban Logistic Solutions” (ULS), que em breve vão navegar nas cidades francesas, vai ser apresentado esta sexta-feira e é de fabricação portuguesa. É uma empresa de transporte ecológico de mercadorias pelos rios, para levar produtos aos centros das cidades.

A “Urban Logistic Solutions” (ULS), foi criada em 2019 mas só depois da pandemia de Covid-19 começou a operar. Está para já em Strasbourg e Lyon, e em breve nas cidades de Rouen, Mulhouse e Paris,

O fundador da empresa é Thomas Castan, natural de Strasbourg, mas vive há quase uma década em Portugal. E por isso, e porque o negócio da logística “verde” se está a expandir, é em Portugal, no Barreiro, que está a construir as novas embarcações da ULS.

O conceito é simples, diz à Lusa. As grandes cidades desenvolveram-se sempre à volta de rios e é pelos rios que os barcos irão transportar pequenos contentores com mercadorias, desde simples encomendas de lojas ‘online’ a produtos como sacos de farinha ou barris de cerveja. Nos cais uma frota de bicicletas levará em minutos os produtos aos seus destinatários, particulares, lojas, restaurantes.

Na sexta-feira vai ser apresentado no Barreiro o primeiro barco para a ULS construído em módulos e que se pode desmontar em quatro horas. Terá como destino final a “Ponte Alexandre III”, em Paris, para daí as bicicletas elétricas fazerem entregas na avenue des Champs Elysées em seis minutos apenas.

Thomas Castan não tem dúvidas de que o negócio pode crescer. Diz que tem para já sete cais em França, que estão a ser negociados, mais 21 e que já foi contactado por autarcas de cidades de países como Bélgica, Alemanha, Inglaterra ou Países Baixos.

É por isso que o empresário, apaixonado por Portugal, quer fazer do país o centro de construção dos barcos. Nas declarações à Lusa lamenta que não tenha sido possível instalar os motores nos dois barcos que está a construir no Barreiro, que por falta de espaço serão colocados em Strasbourg.

“Almada, Seixal, Montijo, Alcochete… estamos prontos para fazer um estaleiro porque o do Barreiro é muito pequeno para dezenas de barcos, com gruas e motores e não encontrámos um espaço maior. Só montamos em França por falta de espaço aqui”, disse o empresário em jeito de apelo.

A ULS, disse, também gostaria de investir em Portugal na construção dos contentores e das bicicletas elétricas e também num centro de investigação e desenvolvimento. “Os barcos são a melhor maneira de entrar no centro da cidade com mercadorias de vários tipos, e os nossos são basicamente porta-contentores urbanos, com a mercadoria a descarregar diretamente para as bicicletas”, explicou à Lusa.

E sobre os novos barcos – os que já estão a trabalhar são de outra geração – disse que são “como um jogo de Tetris” e desmontáveis como um lego, onde tudo se encaixa. Cada um permite 600 pequenos contentores, até 120 toneladas de mercadorias, que serão transportadas em minutos por 15 a 20 bicicletas.

Segundo o responsável, um barco assim é o equivalente a 150 camiões e evita 82% das emissões de dióxido de carbono resultante do transporte rodoviário.

Thomas Castan fala das conversas que teve com Presidentes de Câmara, fala dos três problemas que todos lamentam e que provêm das entregas. E cita-os: a poluição e má qualidade do ar, o excesso de trânsito com os camiões a irem à mesma hora para os centros das cidades, e a ocupação do espaço público. “Quem é que nunca ficou preso numa fila atrás de um camião a descarregar produtos e quando alguém diz alguma coisa houve a resposta ‘estou a trabalhar’? Com as bicicletas resolvemos os três problemas”.

Mas antes há outro problema a resolver, a construção dos barcos, elétricos, equipados com uma grua – cada um com 15 a 20 bicicletas (capacidade de carga de 200 quilos cada uma). “Numa hora pode carregar-se duas toneladas”.

Thomas Castan indica que os barcos maiores podem ir até 38 metros de comprimentos por 10 de largura, que os mais pequenos são de 20 metros por cinco, e afiança que o sistema ULS em Lisboa “fazia todo o sentido”.

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