ACEP entregou prémios aos melhores alunos mas não é apoiada pelo Estado português

A Associação Cultural para os Estudos Portugueses (ACEP) organizou no sábado passado a festa anual de fim do ano escolar e entregou prémios aos dois melhores alunos de cada turma. O evento teve lugar durante a tarde, no anfiteatro da Escola Fénelon, em Paris 8, onde a ACEP dá aulas todas as quartas-feiras e sábados.

Durante toda a tarde, professores e alunos contribuíram para a animação do evento. As turmas da Primária interpretaram os temas populares “Malhão, Malhão” e “Indo eu a caminho de Viseu” acompanhados ao acordeão por Eva Simões, uma aluna de 5ème. Anaïs Marques e Emma Moussière, também alunas de 5ème leram a “Pedra Filosofal” de António Gedeão. As alunas de 3ème Diana Macedo e Mathilde da Silva, assim como o aluno de 6ème Bruno Teixeira, interpretaram “Gosto muito de cantar”, “Valsa 3” e “A 13 de maio”. Seguiu-se a leitura de poemas: Joana da Cunha e Leticia Figueiredo de 2de leram “Mar Português” e “Infante” de Fernando Pessoa; Mariana Quental de 1ère leu “A Flôr” de Almada Negueiros e “Ler devia ser proibido” de Guiomar Grammont; Mariana Munchenbach de 1ère leu “Eu, Etiqueta” de Carlos Drummond de Andrade.

A ACEP ocupa as instalações da Escola Fénelon, uma escola privada em pleno centro de Paris, numa transversal ao boulevard Malesherbes, a dois passos do Consulado Geral de Portugal. “Aqui somos tratados como reis” afirma Zita Salgado, Diretora da ACEP. “Dão-nos liberdade de acesso a todas as salas, sem qualquer problema, mas também temos acesso ao anfiteatro, que está à nossa disposição”.

A escola funciona normalmente à segunda, terça, quinta e sexta-feira, com os alunos do ensino francês. À quarta-feira e ao sábado é ocupada pela ACEP, em contrapartida de um aluguer que a estrutura associativa paga desde 1982. Aliás, a ACEP tem um escritório de Direção no quarto andar do edifício e ao sábado é Zita Salgado quem se ocupa do acolhimento de alunos. “Nós trocamos serviços, eu sou a responsável da Fénelon ao sábado. Por exemplo, se houver alunos das Classes Prépa, sou eu que tomo conta deles. Há um acordo com a Direção da escola”.

Mas Zita Salgado queixa-se da falta de apoios do Governo português. “Não temos nenhuma ajuda do Governo português. Nenhuma. O Governo português não ajuda absolutamente nada esta escola, nem nunca ajudou, a não ser em 82-84. Nem nenhuma ajuda financeira, nem outra. Talvez ajude outras, a nossa não” confirmou ao LusoJornal.

Para além da Direção, a ACEP tem 14 professores e três assistentes de educação que se ocupam do enquadramento dos alunos. “Temos uma equipa extraordinária. Nenhum professor nesta escola pode ensinar sem ser diplomado, foi sempre o que nos foi exigido desde o início” diz Zita Salgado. “Foi-nos dado um paralelismo pedagógico em 1983/84, o que quer dizer que há do Goverbo português um reconhecimento do nosso ensino, mas não há qualquer ajuda monetária”.

O argumento por vezes evocado pelos Governantes portugueses é surpreendente. “Disseram-nos na altura que não tinham dinheiro para isso e até nos disseram, na altura, que as famílias dos nossos alunos tinham suficientemente dinheiro para poderem pagar o ensino de português” explica Zita Salgado. “Ora, é exatamente o mesmo que nos dizem os Governantes franceses”!

A Diretora da ACEP garante que o ensino tem qualidade. “Temos ensino de qualidade, e temos um nível por cada turma” o que contrasta fortemente com as aulas “oficiais” de português no ensino primário, que junta quase sempre, alunos de vários níveis escolares na mesma turma.

A ACEP acompanha os alunos desde o CP até ao BAC e Zita Salgado diz que a procura é grande. “Temos muitas crianças da primária porque algumas escolas pagas pelo Governo português fecham por falta de alunos, por motivos vários, e nós temos realmente uma procura bastante grande”.

Todos os anos, no fim do ano escolar, a ACEP organiza uma festa com os pais e os alunos e o Banque BCP patrocina a entrega de prémios aos dois melhores alunos de cada turma. 35 alunos foram recompensados desta vez, numa escolha feita pelos professores.

No próximo ano letivo, a ACEP vai lançar um novo serviço de apoio aos alunos. “Vamos fazer ateliers de escrita em língua francesa, porque nos damos conta que os alunos têm muitas dificuldades nas escolas e liceus em língua francesa e nós podemos dar uma ajuda aos nossos próprios alunos, sem nenhum custo” garante Zita Salgado. “A cotização que eles pagam no princípio do ano já cobre isso”.

Outra novidade para o próximo ano é o início de aulas de português para Franceses. “Temos muitos pedidos. Até agora não o temos feito, porque há o Instituto Camões, mas por vezes o Instituto não responde a certos horários exigidos e no próximo ano letivo estamos a pensar abrir uma ou duas turmas” diz a Diretora.

O LusoJornal é distribuído semanalmente pelos alunos da ACEP, é utilizado por alguns professores como suporte pedagógico e os alunos levam o jornal para casa. “Até o nosso colaborador que todas as semanas está na receção da escola, que é Angolano, espera com ansiedade a chegada do jornal” conta Zita Salgado.

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1 Comment Deixe uma resposta

  1. Caras e caros responsáveis da Associacao ACEP
    Em primeiro lugar, os meus sinceros parabéns pela vossa iniciativa, preciosa para manter viva e actual e nossa Língua e Cltura num país estrangeiro.
    A atitude do Estado Português é , claro, inaceitável e atenta contra os princípios da nossa Constituicao, onde se encontra, no Artigo 74°, claramente predisposto ser dever do citado Estado proporcionar aos filhos dos trabalhadores portugueses no estrangeiro acesso a aulas da sua língua e cultura de origem.
    Porém e desde 2010, com a passagem do tutela do Ministério da Educacao para a do Instituto Camoes, por iniciativa do Partido Socialista, todos os princípios que regiam os antigos cursos de Língua e Cultura Portuguesas estao a ser abertamente pervertidos pelo citado Instituto, que até agora tem tido apoio ou indiferenca política suficiente de modo a permitir exigir pagamento dos alunos portugueses enquanto que a alunos franceses, espanhóis e alemaes é proporcionado ensino gratuito.
    O acima citado Instituto só tem interesse nos alunos estrangeiros, por perfilhar a teoria de que a Língua Poretuguesa no estrangeiro só terá dignidade e reconhecimento local se for língua estrangeira, pois, segundo pensam, as línguas ligadas à emigracao sao algo inferior..
    Tudo isto nao obsta a que se dediquem afincadamente a vender livros de fraca qualidade, elaborados à pressa por pessoas ligadas a esse instituto e com pouca ou nenhuma prática do ensino no estrangewiro, além de fazerem propaganda de um Certificado destituído de qualquer valor, que nao é reconhecido nas escolas estrangeiras . sendo inútil para frequentar as escolas e unversidades em Portugal.
    Em 2010 havia nas Comunidades, pagos por Portugal, 624 professores. Agora há apenas 314 e perdemos mais de 18 mil alunos devido á “propina” e ao encerramento de imensos cursos. Os alunos conrtinuam a dimininuir mas o Governo fecha os olhos, porque o verdadeiro objectivo é que sejam os pais a pagar o ensino do Português no estrangeiro, o que já seria vergonhoso , dado os milhoes que enviam para Portugal, mas que é mais vergonhoso ainda porque sem sequer se dignam respeitar a Constituicao.

    Teresa Duarte Soares
    Professora na Alemanha desde 1981

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