Animação portuguesa na competição do festival de Clermont-Ferrand que começou ontem


O Festival Internacional de Curta-Metragem de Clermont-Ferrand começou ontem na capital da Auvergne, com os filmes de animação “Cão Sozinho”, de Marta Reis Andrade, e “Porque Hoje é Sábado”, de Alice Eça Guimarães, na competição internacional.

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“Cão Sozinho” parte da “história real de um cão deixado ao abandono na sua própria casa, no tempo em que o meu avô começou a experienciar a sua viuvez e eu regressava de Londres, lugar onde me senti mais sozinha que nunca”, cita a sinopse.

Este é o terceiro filme de Marta Reis Andrade, formada em Lisboa, Paris e Londres, onde também trabalhou. Atualmente faz parte do BAP Animation Studios, como animadora e realizadora.

“Porque Hoje é Sábado”, de Alice Eça Guimarães, é protagonizado por uma mulher que procura ter tempo num sábado, supostamente dia de descanso, mas que acaba por ser ocupado com o trabalho invisível doméstico e familiar.

“O trabalho invisível é a gestão de todas as tarefas que permite a uma família funcionar: planear idas ao médico, refeições, horas de trabalhos de casa… tarefas que se adicionam ao trabalho doméstico gratuito, cuja responsabilidade recai geralmente nas mulheres”, explicou a realizadora na nota de intenções.

Produzido pelo Animais AVPL – Estúdio de Cinema de Animação, “Porque hoje é sábado” tem coprodução com Espanha e França.

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A Animais AVPL assina igualmente a coprodução da curta-metragem de animação “Filha da Água”, de Sandra Desmazières, que está na competição nacional de Clermont-Ferrand.

O filme, sem diálogos, acompanha Mia, uma mulher que mergulha diariamente para recolher ostras e ouriços-do-mar.

“Filha da Água” – que também está nomeado para os prémios franceses Césares – “propõe uma experiência profundamente sensorial, onde o tempo, a água e a memória se entrelaçam num universo visual de grande delicadeza”, explica a produtora portuguesa.

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Em Clermont-Ferrand, destaque ainda para a inclusão do premiado filme de animação “Percebes”, de Alexandra Ramires e Laura Gonçalves, candidato ao prémio do público europeu.

“Percebes” é um documentário, animado em aguarela e digital, sobre o ciclo de vida deste crustáceo no contexto da apanha no Algarve e serve de pretexto para abordar a relação dos habitantes locais com o mar, o impacto do turismo e o desordenamento da costa portuguesa.

“Percebes” já foi exibido em mais de uma centena de festivais de cinema e premiado em 2024 no Festival de Cinema de Animação de Annecy.

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A curta-metragem em imagem real “A Última Colheita”, do realizador cabo-verdiano Nuno Boaventura Miranda, e que tem coprodução portuguesa, está na secção paralela “Olhares d’África”.

O 48º Festival Internacional de Curta-Metragem de Clermont-Ferrand estende-se até 07 de fevereiro.