Bloco de Esquerda diz que a abstenção na diáspora “não pode ser interpretada como desinteresse cívico”


O Bloco de Esquerda Círculo da Europa emitiu ontem um comunicado destacando que mais de 95% da diáspora portuguesa ficou sem votar. “A abstenção massiva de pessoas portuguesas residentes no estrangeiro nestas eleições revela uma democracia que falha com quem vive fora do país e exige uma resposta política clara”.

Lembrou que em França votaram apenas 2,71% dos eleitores, no Reino Unido 3,06%, na Bélgica 13,48%, nos Estados Unidos 2,00% ou Angola com 3,92% de participação

Mesmo com quase 1,8 milhões de pessoas portuguesas recenseadas no estrangeiro, mais de 95% não exerceu o seu direito de voto nestas eleições, com níveis de participação mínimos na maioria dos países. “Esta realidade não pode ser interpretada como desinteresse cívico” afirma o Bloco de Esquerda.

Depois explica que “a abstenção massiva resulta de opções políticas que levantam barreiras ao voto, em particular a inexistência de voto postal automático, obrigando milhares de eleitores a deslocações presenciais aos Consulados, muitas vezes distantes, dispendiosas e incompatíveis com horários de trabalho. O impacto é claro quando votaram cinco vezes mais pessoas recenseadas no estrangeiro, nas eleições Legislativas de 2025 que tinham esta possibilidade, do que nas mais recentes eleições Presidenciais”.

Para o Bloco de Esquerda Círculo da Europa, quando mais de 95% da nossa diáspora não participa, “o problema não é apatia: é exclusão democrática”.

“Ganha força a ideia errada de que as decisões políticas tomadas em Portugal não afetam quem emigrou. Essa ideia não corresponde à realidade. As decisões em Portugal afetam diretamente as pessoas emigrantes, no seu trabalho (muitas vezes ainda ligado a regras, impostos ou contratos portugueses), no acesso efetivo ao direito de voto, nas condições de vida das suas famílias, na obrigação de envio de remessas, na possibilidade de regressar e, para muitos, nas condições da sua futura reforma. São cidadãos e cidadãs que enfrentam obstáculos burocráticos, custos elevados e uma fraca ligação institucional a políticas públicas que continuam a impactar diretamente as suas vidas”.

O Bloco de Esquerda Círculo da Europa denuncia “este bloqueio ao direito de voto” e defende “uma mudança clara e responsável que reforce a participação democrática da diáspora portuguesa”.

No texto, assinado por Teresa Soares e Igor Constantino, lê-se que “é possível fazer diferente. É possível aproximar a democracia de quem vive fora do país, removendo obstáculos desnecessários e garantindo condições justas de participação eleitoral”.

Mas para isso, o Partido considera que é essencial “garantir voto postal para as pessoas portuguesas no estrangeiro; reforçar a informação, acessibilidade e proximidade consular e reconhecer a diáspora como parte integrante da vida democrática portuguesa”.

Para concluir, o comunicado do Bloco de Esquerda Círculo da Europa assume que “uma democracia mais justa constrói-se com mais participação, não com exclusão”.