Em muitas Bíblias, o trecho do Evangelho do próximo domingo é intitulado «a ressurreição de Lázaro». Vale a pena sublinhar que esta ressurreição é diferente daquela que professamos no Credo dizendo «(…) espero a ressurreição dos mortos e vida do mundo que há de vir». A ressurreição de Lázaro foi um parêntesis. Após o milagre, ele regressou à vida normal: uma vida de alegrias e tristezas, de saúde e doenças, de tempo finito. Mais tarde, Lázaro faleceu de novo.
Se se tratou apenas de um parêntesis, valeu a pena este milagre?
É o próprio evangelista São João que nos dá a resposta: este prodígio foi um sinal importante! Revelou «a glória de Deus» e muitos judeus «ao verem o que Jesus fizera, acreditaram n’Ele». Aliás, se prosseguirmos a leitura do capítulo 11, constataremos que é imediatamente após este milagre que o Sinédrio decide a morte de Jesus: «Que havemos de fazer, uma vez que este homem realiza muitos sinais? Se o deixarmos assim, todos acreditarão nele (…) A partir desse dia, deliberaram que o iriam matar».
Atualmente, por causa da pandemia de Covid-19, muitos de nós vivemos uma forma de parêntesis, esperando que o perigo passe e que possamos retomar o fio normal das nossas vidas. Tal como o Evangelho ensina, é preferível não subestimar os parêntesis, pois podem revelar verdades e ensinar lições. Graças a este tempo de epidemia e isolamento social, estamos já a descobrir muitas coisas sobre nós mesmos, os outros e o mundo.
Pessoas frágeis que descobrem uma coragem imensa…
Homens e mulheres que experimentam o peso e também o valor do silêncio…
Famílias que (re)aprendem a viver juntas…
Este tempo será um parêntesis, mas isso não significa que não ensine lições importantes!
Coragem. Sejam prudentes. E que o Senhor vos abençoe.
1 Parêntesis (ou parêntese):
Substantivo masculino
- Palavra ou frase interposta no discurso.
- [Ortografia] Cada um dos sinais ortográficos, geralmente ( ), [ ] ou < >, usados para se encerrar uma palavra ou frase interposta no discurso, entre outras funções.




