No Evangelho deste domingo escutaremos o famoso episódio da tempestade acalmada: Levantou-se então uma grande tormenta e as ondas eram tão altas que enchiam a barca de água. Jesus, à popa, dormia com a cabeça numa almofada. Eles acordaram-n’O e disseram: «Mestre, não Te importas que pereçamos?» Jesus levantou-Se, falou ao vento imperiosamente e disse ao mar: «Cala-te e está quieto». O vento cessou e fez-se grande bonança.

Esta página foi escrita por volta do ano 70, um período em que a Igreja vivia o drama das perseguições… É neste contexto de medo e sofrimento que o evangelista Marcos recupera o episódio da tempestade acalmada e responde à seguinte questão: Deus preocupa-se com os problemas dos homens? Ou será que dorme?

Todos nós, mais cedo ou mais tarde, vivemos a experiência da “tempestade”. Desgraças e problemas fazem com que nos sintamos a “afundar”. E eis que muitas vezes reemerge a velha visão retributiva e “mágica” da fé: se a vida me corre bem, Deus existe; mas se encontro tribulações e adversidades, tudo cai por água abaixo e não acredito em mais nada.

O Evangelho deste domingo diz-nos que, apesar das ondas, do vento e da chuva… apesar do silêncio “aparente” de Deus… Ele não abandona nunca a sua barca; não abandona o seu povo. Enfrenta a tempestade connosco, partilha a nossa experiência de sofrimento e não nos deixa sozinhos. Nos momentos de crise, de desânimo, de medo, somos convidados a (re)descobrir a presença – às vezes silenciosa, mas sempre amiga e reconfortante – de Jesus ao nosso lado, na mesma rota, no mesmo barco.

Padre Carlos Caetano

Padre Carlos Caetano

padrecarloscaetano.blogspot.com

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