Choque em cadeia na A63 envolveu dois autocarros com matrícula portuguesa e causou dois mortos


A autoestrada A63, no sudoeste de França, foi ontem palco de um dos acidentes mais graves registados nos últimos anos na região de Landes. Um choque em cadeia que envolveu cerca de uma centena de veículos – entre ligeiros, pesados e dois autocarros com matrícula portuguesa – provocou pelo menos dois mortos e dezenas de feridos, alguns em estado grave, segundo as autoridades francesas.

O acidente ocorreu pouco depois das 7h00 da manhã, entre Bordeaux e a fronteira espanhola, numa zona particularmente afetada pelo gelo acumulado na via. As condições meteorológicas extremas foram apontadas como a causa mais provável do despiste inicial de um camião, que acabou por desencadear uma série de colisões sucessivas.

Entre os veículos envolvidos encontravam‑se dois autocarros portugueses: um da empresa FlixBus, que fazia a ligação entre Paris e Madrid, e outro da empresa Ovnitur de Viana do Castelo. O primeiro transportava 43 passageiros e dois motoristas, o segundo seguia apenas com duas pessoas a bordo. As autoridades francesas confirmaram que uma das vítimas mortais é o condutor de um dos autocarros, enquanto a outra será o motorista de um camião que, após sair da viatura, foi colhido por outro veículo.

A FlixBus esclareceu que o seu autocarro travou para evitar uma fila de trânsito parada, mas acabou por ser violentamente atingido na retaguarda por outro autocarro, o que o projetou contra um camião que tentava evitar. A violência do impacto provocou a morte de um passageiro e ferimentos em vários outros ocupantes.

No total, entre 50 e 70 pessoas sofreram ferimentos ligeiros, enquanto várias vítimas em estado grave foram transportadas de helicóptero para hospitais da região, incluindo Dax, Pau e Bordeaux. Uma cidadã portuguesa encontra‑se entre os feridos graves e foi submetida a cirurgia no Hospital de Dax, confirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros português.

As operações de socorro prolongaram‑se durante todo o dia, dificultadas pelo gelo que tornava quase impossível manter-se de pé na estrada, segundo elementos da Proteção Civil francesa. A A63 permaneceu encerrada nos dois sentidos durante várias horas, não apenas para deixar circular as ambulâncias, mas também para deixar pousar os três helicópteros que foram mobilizados para o local, causando fortes perturbações na circulação e longas filas de veículos retidos.

Segundo a imprensa portuguesa, o Consulado-Geral de Portugal em Bordeaux acompanhou de perto a situação, articulando-se com as autoridades locais e prestando apoio aos cidadãos portugueses envolvidos.