Quando duas figuras como o Diogo Jota e o irmão André Silva desaparecem assim, de forma tão violenta e repentina, o que se instala é uma espécie de luto que nos atravessa a todos, mesmo sem os conhecermos pessoalmente.
Há uma consternação que vai para além da admiração: porque eles representavam valores com os quais nos identificamos. Trabalho, família, talento, humildade.
Sentimos que se perdeu alguma coisa em nós. E isso é legítimo.
O luto coletivo vive-se com partilha. Com espaço para a tristeza, com silêncio onde não há palavras. É assim que se cuida de uma dor que é íntima, mas que também é nossa, enquanto sociedade.
O que não se deve dizer a uma mãe – ou a uma família – que perde dois filhos assim?
Nada que tente “explicar” a dor.
Frases feitas como “eles estão num lugar melhor” ou “um dia vais perceber porquê” ferem, mesmo que ditas com boas intenções.
Numa perda tão fora de ordem – dois filhos, um casamento interrompido, três crianças sem pai – o mais importante é estar.
Dizer: “Estou aqui”.
Ou apenas: “Não há palavras. Mas estou contigo”. Acima de tudo validar os sentimentos vividos neste momento.
O amor não resolve a dor. Mas ampara-a. E nestes casos, o silêncio verdadeiro vale muito mais do que uma explicação bem-intencionada.
Como se explica esta perda a crianças de dois e quatro anos?
Com verdade e com ternura.
As crianças pequenas precisam de saber o que aconteceu, mas dito numa linguagem que elas consigam compreender. Dizer, por exemplo: “O papá morreu. O corpo dele deixou de funcionar. Não vai voltar, mas ele vai continuar a viver no nosso coração”.
Evitar metáforas como “foi dormir” ou “foi para o céu” porque podem gerar confusão e até medo de que outras pessoas também “partam” se forem dormir ou se afastarem.
E acima de tudo, dar espaço ao que elas sentem. Porque mesmo quando não têm palavras, têm dor. E precisam de colo, de rotina e de presença.
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Dra. Carolina de Freitas Nunes
Psicóloga
Diretora clínica da CogniLab
Msc Neuropsicologia






