Conselheiro das Comunidades Vítor Oliveira tomou posse no Conselho Nacional da Educação


O Conselheiro das Comunidades Portuguesas eleito em Toulouse, pelas áreas consulares de Bordeaux e de Toulouse, Vítor Oliveira, tomou posse no início deste mês de fevereiro como membro do Conselho Nacional da Educação (CNE).

“Quero agradecer aos meus colegas do Conselho Permanente do CCP. Esta é uma indigitação exclusiva das pessoas que estão no Conselho Permanente e que encontraram em mim a pessoa indicada e que mereceu a confiança deles, para representar o Conselho das Comunidades a nível mundial neste órgão que é muito importante em matéria de aconselhamento de políticas públicas na área da educação, junto do Governo português e também da Assembleia da República” disse Vítor Oliveira aos microfones da RDP internacional.

A tomada de posse decorreu em Lisboa, no dia 4 de fevereiro e, entrevistado pela jornalista Paula Machado, Vítor Oliveira considera que o Conselho Nacional de Educação “pode ajudar à projeção de Portugal no mundo, através da língua portuguesa”.

Convicto de que o futuro da língua portuguesa deve ser uma “preocupação de todos”, o Conselheiro das Comunidades ilustra com o exemplo da comunicação entre avós e netos. “Hoje em dia, sabemos que há muitas pessoas que saíram de Portugal, formadas em Portugal, e outras são da segunda geração, que têm filhos que, pela excelente integração que têm nas Comunidades locais dos países de residência, falam muito bem a língua do país de residência, mas têm muita dificuldade em falar português. Eu vejo muitos casos em que as crianças ou os jovens têm muita dificuldade em falarem com os avós e outros familiares em Portugal. Isto é apenas um pequeno exemplo de como a cultura pode ficar partida se Portugal não tiver uma aposta firme, mais capacitada”.

Vítor Oliveira considerou que “o senhor Presidente do CNE mostrou muita abertura para que possamos discutir propostas concretas para melhorar as capacidades da língua portuguesa no estrangeiro. E disse-me que há muito tempo que não tinha notícias dos Conselheiros das Comunidades no Conselho Nacional da Educação e que para eles é muito importante ter alguém das Comunidades junto deles, e queriam ter a oportunidade para falar sobre Comunidades no Conselho Nacional de educação. Na minha opinião é muito importante para quem está fora e fala da língua portuguesa todos os dias”.

Quanto ao acesso ao ensino superior para emigrantes e lusodescendentes, Vítor Oliveira diz que o assunto vai ser analisado no Conselho das Comunidades Portuguesas e poderá dar origem a uma campanha de informação e sensibilização para que mais se candidatem a estudar em Portugal no quadro deste contingente especial que reserva 7% das vagas no ensino superior português aos emigrantes e filhos destes que residam no estrangeiro, mas que queiram estudar em Portugal.

“Uma das premissas para que muitos alunos se candidatem às vagas no contingente especial para emigrantes é, em muito, saber falar português, ter um domínio da língua, até para os próprios jovens se sentirem confortáveis nessa candidatura e eu falei disso mesmo. Para termos uma ideia, na sala estava o senhor Presidente do Conselho de Reitores que, por mero acaso estava ao meu lado, e com quem falei também sobre esta questão sobre o aumento do preenchimento destas vagas a nível nacional” disse o novo representante do CCP no Conselho Nacional da Emigração. “Acho que o Conselho das Comunidades Portuguesas, no futuro, deverá produzir matéria que leve a uma campanha de maior sensibilização nas Comunidades. Acho que isso é muito importante e neste sentido, este assunto deverá ser alvo de uma reflexão aprofundada também dentro do próprio CCP e mais tarde, claro, vertendo algumas dessas decisões que passaremos também ao Conselho Nacional da Educação”.

Até às eleições de 2023 do CCP, o Conselheiro Amadeu Batel, eleito na Suécia, foi o representante dos Conselheiros das Comunidades no Conselho Nacional de Educação, um órgão independente e de consulta do Ministério da Educação, Ciência e Inovação.

Compete ao CNE, por iniciativa própria ou sempre que solicitado pela Assembleia da República ou pelo Governo, emitir opiniões, pareceres e recomendações sobre todas as questões educativas.