Lusa | Mário Cruz

Editora francesa Christian Bourgois revela tradução de livro de António Lobo Antunes a publicar em novembro


A editora Christian Bourgois, que tem traduzido António Lobo Antunes em França, lamentou ontem a morte do “grande escritor português”, considerando que a “sua contribuição para a literatura mundial é inestimável”.

Na rede social Instagram, a editora anunciou ainda que, em novembro, publicará uma das últimas obras do autor, “Diccionario da linguagem das flores”, com tradução de Dominique Nédellec.

Com uma escrita que acompanha de perto os meandros do pensamento, António Lobo Antunes “nunca deixou de examinar as contradições da alma humana, as consequências da colonização, a violência das relações familiares e os malefícios do racismo e da violência”, acrescenta a editora.

António Lobo Antunes nasceu em Lisboa, em 01 de setembro de 1942, licenciou-se em Medicina, pela Universidade de Lisboa em 1969, tendo-se especializado em Psiquiatria, que mais tarde exerceu no Hospital Miguel Bombarda. Optou pela escrita a tempo inteiro em 1985, para combater a depressão que dizia ser comum a todas as pessoas.

O seu primeiro livro, “Memória de Elefante”, surgiu em 1979, logo seguido de “Os Cus de Judas”, no mesmo ano, sucedendo-se “Conhecimento do Inferno”, em 1980, e “Explicação dos Pássaros”, em 1981, obras marcadas pela experiência da guerra e pelo exercício da Psiquiatria, que depressa o tornaram um dos autores mais lidos em Portugal.

Em Portugal, duas vezes distinguido com o Grande Prémio de Romance e Novela da APE, recebeu também o Prémio D. Diniz da Fundação Casa de Mateus (“Exortação aos crocodilos”, 1999), o Prémio Fernando Namora (“Boa tarde às coisas aqui em baixo”, em 2004), o Prémio Alberto Pimenta de carreira, do Clube Literário do Porto (2008), o Prémio Autores (“Que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar”, 2010), o Prémio Literário Fundação Inês de Castro (“O tamanho do mundo”, 2023), entre outros.

Foi Prémio Camões em 2007 e, no ano seguinte, venceu o Prémio FIL de Literatura em Línguas Românicas, tornando-se no primeiro português a conquistar aquela distinção.

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