
O Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, o Deputado Carlos Gonçalves e a Cônsul-Geral Adjunta de Portugal em Paris, Mafalda Paiva de Oliveira, foram ontem os convidados de honra na inauguração da Foire d’Orléans, onde estava também presente o Maire da Cidade, Serge Grouard.
“Portugal é, este ano, o país convidado de honra e, por razões óbvias, o convite que me foi feito, eu não o podia recusar” disse em declarações ao LusoJornal Emídio Sousa.
O evento é organizado pela empresa pública Orléans Events – que gere os grandes equipamentos de eventos da cidade de Orléans, incluindo o CO’Met, Zénith, Centre de Conférences e Chapit’O, e o Diretor-Geral Paul Séchaud fez as honras da casa.
“Estou muito contente que este ano tenha sido decidido ter Portugal e em particular Lisboa, como convidados de honra. É um país que eu aprecio particularmente. É um país bonito” disse o Maire de Orléans. “E tem uma característica que nós devíamos inspirar-nos em França – e digo-o muito claramente – a cada vez que eu fui a Portugal, constatei sempre que as pessoas são acolhedoras e simpáticas. Sabe-nos sempre bem ir a Portugal e, muito sinceramente, sermos acolhidos nestas condições”.
Serge Grouard lembrou também que Portugal e a França têm “uma longa tradição de proximidade e de cooperação. Somos membros da União Europeia, mas para além disso, temos uma verdadeira amizade e isso também se deve muito à importante Comunidade portuguesa em França, e em particular em Orléans. Temos relações verdadeiramente de amizade”.
“O facto de associarem Portugal a esta Feira representa não apenas a implicação do município e do Departamento, mas também o dinamismo da nossa Comunidadee das oportunidades que pode haver nas relações bilaterais entre Portugal e a França” disse Carlos Gonçalves ao LusoJornal.




Uma surpreendente exposição sobre Lisboa
Os organizadores realizaram uma imponente exposição sobre Lisboa que surpreendeu todos quantos a visitaram. “Nunca vi nada assim aqui em França” comentou Mafalda Paiva de Oliveira, a Cônsul-Geral Adjunta de Portugal.
“No fundo acabam por promover a cidade de Lisboa para que as pessoas de Orléans possam fazer turismo na nossa capital, mas também o facto de Portugal ser o país convidado de honra é um reconhecimento do dinamismo da nossa Comunidade” referiu Carlos Gonçalves ao LusoJornal.
Partindo das proezas dos Descobridores portugueses, foram reconstituídos pátios típicos de Lisboa, com fachadas de casas tradicionais, as muralhas do castelo de S. Jorge e a vista sobre a cidade “como se lá estivéssemos” comentou uma visitante. Até uma carruagem do elétrico 28 lá está.
“Já estivemos aqui. Lembram-se?” comentava uma senhora, apontando para o mural com a rua Augusta. Mais à frente foi o próprio Secretário de Estado que tomou o leme de uma nau dos Descobrimentos. Um casal tirou fotografia em frente de um mural sobre Fado e famílias inteiras entravam no elétrico.
A Foire d’Orléans tem vindo a crescer e o Maire da cidade lembrou que em 2023 teve cerca de 23.000 visitantes, enquanto em 2025 já atingiu quase 65.000 visitantes. Este ano tem cerca de 200 expositores, mais uma dezena do que no ano passado, e os organizadores esperam que, com o destaque que é dado a Portugal, possam ultrapassar este número de visitantes.
No seu discurso, o Deputado Carlos Gonçalves lembrou que a Comunidade portuguesa de França ascende a 1,4 milhões de pessoas, responsáveis por 40 mil empresas, “o que mostra que tem também uma capacidade de investimento”.
Depois, virando-se para o Maire Serge Grouard, Carlos Gonçalves lembrou que recebeu as honras da Mairie de Orléans “não apenas por eu ser Deputado, mas porque represento os Portugueses que moram no estrangeiro, entre os quais os Portugueses que residem na sua cidade”.

“O Porto também merecia destaque”
Num discurso em francês, o Secretário de Estado Emídio Sousa agradeceu as palavras do Maire de Orléans e disse que os Franceses estão em casa quando vão a Portugal. Lembrou que cada vez há mais Franceses que visitam Portugal e alguns até se instalam definitivamente no país. “E nós estamos à vossa espera” disse.
Emídio Sousa destacou também as relações comerciais entre os dois países. “O que vocês fazem aqui é magnífico” e lembrou o grande evento que vai organizar, no fim de abril, em Lisboa, juntando empresários de Portugal e empresários da diáspora.
“Temos aqui muitas empresas portuguesas, temos também aqui muitas empresas de sucesso. Cada vez são mais. A França tem hoje mais de 40.000 empresas de portugueses” comentou Emídio Sousa em entrevista ao LusoJornal. “Eu julgo que é um património e um ativo estratégico para o nosso país, que temos de aproveitar”.
Na sua intervenção, o Governante alertou ainda para o facto de “na Europa, nós pensávamos que a democracia e a liberdade estavam devidamente instaladas, mas afinal constatamos que temos de correr, de pedalar, atrás destes valores que têm de ser constantemente reconquistados”.
Depois, já com algum humor, e referindo-se ao facto de Lisboa estar em destaque na Feira, Emídio Sousa lembrou que “eu sou mais do Norte e o Porto também é uma cidade muito bonita, também com gente simpática e muito trabalhadora. No Norte está mais frio e, por isso, as pessoas são mais trabalhadoras” referiu.
“Quem sabe se no próximo ano o Porto vai ser a cidade em destaque” deixou o Maire Serge Grouard.
No espaço “português”, para além da exposição, estão lojas de pasteis de nata, de fumeiro, de Ginginha de Óbidos, lojas de artesanato e brindes, espaços de restauração, um stand do Grupo folclórico Os Minhotos e um estúdio móvel da rádio Arc en Ciel, onde aliás foi entrevistado o Secretário de Estado.
“Enquanto Governante e com a pasta das Comunidades portuguesas, tento dar uma maior visibilidade ao setor empresarial da diáspora, que é forte e aqui em França é especialmente forte. Alguns setores económicos importantes em França são mesmo dominados por Portugueses como é o caso da construção civil e da restauração” concluiu Emídio Sousa ao LusoJornal. “Tinha de aceder ao convite, o Maire de Orléans foi extremamente simpático, as palavras que ouvi foram extraordinárias e saio daqui orgulhoso e feliz por saber que nós, Portugueses, somos reconhecidos em todo o mundo”.






