O Teatro São Luiz, em Lisboa, inaugura hoje, dia 27 de março, Dia Mundial do Teatro, a exposição “A Luz que Ficou”, um percurso visual que celebra os dez anos de trabalho da fotógrafa Estelle Valente com esta instituição.
Estelle Valente nasceu em França, país com o qual mantém uma ligação profunda, foi militante e dirigente da associação Cap Magellan, antes de escolher Lisboa como cidade de vida e criação artística.
A exposição estará patente ao público até 19 de julho, em vários espaços do Teatro São Luiz, com entrada livre.
Radicada em Lisboa há 15 anos, Estelle Valente construiu um percurso singular na fotografia de cena, tornando-se uma das vozes visuais mais reconhecíveis do teatro português contemporâneo. A sua biografia sublinha essa dupla pertença: uma forte ligação ao país onde nasceu e cresceu, e uma profunda integração na vida cultural portuguesa, onde desenvolveu a maior parte do seu trabalho artístico.
O seu percurso é um exemplo de como as identidades cruzadas – francesa e portuguesa – podem gerar obras de grande sensibilidade e impacto. A carreira de Estelle Valente tem sido marcada por colaborações com artistas portugueses, como a fadista Gisela João, e por exposições tanto em Portugal como em França – incluindo “Le Regard d’Estelle”, apresentada em Paris, e uma residência artística no Espace Cardin.
Uma década de imagens que revelam o coração do São Luiz
“A Luz que Ficou” reúne fotografias captadas entre 2015 e 2024, período em que Estelle Valente foi fotógrafa oficial do Teatro São Luiz. O que começou como um trabalho intuitivo transformou-se numa relação profunda com o edifício, os artistas e a vida invisível do teatro.
A exposição organiza-se em três partes: Na rua, com retratos a preto e branco de artistas e técnicos, sempre fotografados no mesmo “Janelão”, criando um arquivo humano aberto à cidade; nos espaços públicos do teatro, onde se cruzam imagens de cena, concertos, retratos e fragmentos arquitetônicos; e nas zonas técnicas, acessíveis apenas em visitas guiadas, revelando bastidores, subpalco, cabines e corredores – o lado invisível da criação teatral.
O conjunto forma um retrato íntimo e fragmentado do São Luiz, uma tentativa de fixar “a luz que fica depois de cada aplauso”, como escreve a própria artista na folha de sala.
Estelle Valente conduzirá várias visitas guiadas – gratuitas, mediante marcação – nos meses de abril, maio, junho e julho. Estas visitas permitem ao público descobrir não só a exposição, mas também zonas normalmente inacessíveis do teatro, acompanhadas pelo olhar de quem as fotografou durante uma década.







