Governo vai rever estatuto do ensino de português no estrangeiro para facilitar recrutamento de professores


O Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, revelou onter estar a trabalhar na melhoria das condições financeiras dos professores de ensino da língua portuguesa no estrangeiro para combater as dificuldades no recrutamento.

O governante disse que o Governo vai trabalhar na revisão do regime jurídico que regula o ensino do português no estrangeiro “nos próximos meses” para “mitigar algumas das dificuldades, principalmente as financeiras, mas não só”.

“O estatuto remuneratório e os benefícios atuais não são muito atrativos porque muitos dos professores que até poderiam ter interesse em vir deparam-se com dificuldades financeiras, porque a habitação é muito cara”, afirmou à Lusa.

Além da componente salarial para melhorar a atratividade da carreira serão revistos aspetos como “o próprio ensino, o método, o desempenho, as capacidades”, acrescentou, sem dar pormenores.

O Governo, garantiu, está determinado em manter e melhorar o ensino de português no estrangeiro porque o considera um “ativo estratégico para o país, mas reconheceu “a profissão de professor, para a minha grande tristeza, perdeu alguma atratividade”.

“Isto está a acontecer muito em todo o mundo e em Portugal”, vincou.

No total, estão por preencher 20 horários de 314 existentes na Europa e África do Sul, precisou à Lusa a Presidente do Sindicato dos Professores nas Comunidades Lusíadas (SPCL), Teresa Soares.

“Uma das razões principais para a falta de professores é o Instituto Camões recusar pagar o subsídio de instalação [equivalente a dois meses de vencimento], pagando apenas a leitores e coordenadores”, lamentou.

A dirigente sindical afirmou ter conhecimento de casos de “professores que se endividam para vir para o estrangeiro” e de outros que desistem durante os concursos ou após serem colocados ao aperceberem-se das condições.

Ao custo elevado do alojamento, agravado pela crise habitacional na Europa, acresce que os salários dos professores no estrangeiro não são atualizados desde 2009, pelo que não refletem o atual custo de vida, explicou Teresa Soares.

“O sindicato tem feito desde 2009 propostas de alteração a artigos do regime jurídico, mas este Secretário de Estado ainda não respondeu aos nossos pedidos de reunião ou esclarecimento”, criticou, aguardando informação sobre uma possível negociação.