A 5ª edição do Salon du Livre Africain de Paris, que terá lugar de 20 a 22 de março, promete reunir mais de 150 editores, 400 autores e representantes de cerca de 20 países. Este evento, que celebra a cultura e literatura africana e afrodescendente, contará com uma forte e expressiva presença de autores, editores e visitantes lusófonos, como reflexo da profunda ligação histórica e cultural entre África e Portugal.
O evento contará com cerca de 40 conferências, oferecendo uma palete de tópicos que cobrem os mais variados interesses, desde história a literatura, economia, política, ciência e filosofia, com especial destaque ao tema da edição deste ano: a apresentação da literatura beninesa e angolana. Durante o fim de semana serão ainda atribuídos dois prémios: o Grand Prix Afrique e o Prix du Beau Livre Africain, que reconhecem contributos de peso para o panorama literário contemporâneo africano.
Embora o programa oficial seja divulgado apenas a 1 de março, já foi confirmada a presença de diversos nomes que têm causado agitação no panorama e no desenvolvimento contemporâneo da cultura lusófona, antecipando uma edição de particular interesse. À semelhança dos anos anteriores, o evento será uma oportunidade única para conhecer e ouvir as figuras mais proeminentes da literatura africana e afrodescendente.
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“Meu Primo do Benim” de Marcia Camargos
Marcia Camargos é uma escritora, jornalista e historiadora brasileira e doutora em História Social. Com mais de 27 livros publicados, para o público adulto e infantil, conta com diversos prémios literários. Atua também na conceção e difusão de projetos culturais em multiformato e tem projetos associados à preservação da tradição oral e difusão da cultura popular brasileira. Paralelamente, desenvolveu atividade jornalística e de análise internacional acompanhando os desdobramentos da revolução egípcia; participou ainda em conferências e debates, onde apresentou e publicou análises sobre os conflitos no Médio Oriente.
Nesta edição, Marcia Camargos vai apresentar “Meu Primo do Benim”, uma obra que, ao acompanhar a troca de mensagens entre um menino brasileiro e um familiar no Benim, aborda temas como racismo, escravidão e colonialismo. A autora explora as heranças históricas e as conexões culturais que unem o Brasil e África, culturas moldadas pela resistência ao colonialismo, sobrevivência e escravidão. O livro é um convite à reflexão sobre identidade, memória e reconstrução dos laços intrínsecos que unem as culturas do Brasil com a ancestralidade de África.
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“A bicha e a fila” de Marco Guimarães
Marco Guimarães, natural do Rio de Janeiro e residente em Paris, é professor aposentado com doutoramento e pós-doutoramento em Medicina. Autor de vários romances publicados em países como Angola, Brasil, Croácia e Itália, estreou-se na ficção em 2008 com “Des écrivains, fantômes et autres morts”, sob o pseudónimo Paul Lodd. Foi finalista do Prémio Portugal Telecom de Literatura em 2012 e tem também formação em História da Arte, além de colaboração com organismos culturais internacionais.
O autor contribui para o evento com o seu livro publicado em 2013, “A Bicha e a Fila”, escrito em coautoria com o escritor angolano Manuel Rui, criado numa colaboração entre as cidades de Luanda e o Rio de Janeiro, é uma sátira ambientada no período pós-independência de Angola e durante o regime militar brasileiro, que explora diferenças culturais entre países de língua portuguesa.
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“Vácuos” e “Debaixo do Silêncio que Arde” de Mbate Pedro
Mbate Pedro, nascido em 1978 em Maputo, Moçambique, é médico, poeta, ativista cultural e editor. Estreou-se na literatura em 2006 com “O Mel Amargo”, seguido de “Minaretes de Medos e Outros Poemas” em 2009.
Mbate Pedro é publicado em variadas revistas literárias em Portugal e no Brasil e atua de várias formas na cena cultural moçambicana e em festivais internacionais. Em 2017 deu início ao colóquio literário “Resiliência” em Maputo e fundou a editora “Cavalo do Mar” que publica literatura moçambicana recente de todos os géneros, bem como clássicos modernos da literatura africana e de língua portuguesa. Em 2019, Mbate Pedro fez parte da delegação de autores de língua portuguesa na Feira do Livro de Leipzig.
O autor irá apresentar neste evento o seu terceiro volume de poesia, “Debaixo do Silêncio que Arde”, que recebeu o Prémio BCI de Melhor Livro Moçambicano em 2015 e o livro de poesia “Vácuos”, publicado em Moçambique em 2017 e no Brasil pouco depois, foi indicado em 2018 para o importante prémio literário brasileiro “Oceanos”.
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“Novas Glórias” de Andy Davigny Peruzet
Andy Davigny Peruzet é um autor cuja trajetória revela uma ligação consistente às dinâmicas culturais e históricas do universo de língua portuguesa. Com formação académica na área das humanidades, o seu percurso articula estudos sobre identidade, memória coletiva e transformações sociais, elementos que atravessam a sua produção literária. Em “Novas Glórias”, propõe uma reflexão sobre afirmação identitária e reconfiguração de valores num contexto social em transformação, explorando a tensão entre passado e futuro no universo lusófono.
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“Rouge favela” de Nichelle Teles
Nichelle Teles é uma autora associada ao universo lusófono, cuja obra dialoga com referências culturais brasileiras. Com formação em humanidades e interesse por estudos culturais e questões identitárias, integra essas temáticas na sua escrita.
Em “Rouge Favela”, aborda questões como marginalização, pertença e violência estrutural, explorando as tensões sociais num cenário fortemente inspirado na realidade brasileira e os desafios da afirmação individual num cenário marcado por desigualdades.







