Livros: O inspetor Pereira e “Les brumes de Lisbonne” nas livrarias francesas

Já lançado em Portugal pela editora Guerra&Paz em 2018 (estranhamente publicado com outro título e em língua francesa, a pensar talvez na crescente comunidade francófona a viver no retângulo), este “Les Brumes de Lisbonne”, aparecido há um mês nas livrarias francesas, é um romance policial ligeiro e cheio de humor.

Peter Brooklyn é o pseudónimo “que soa a americano” usado por um autor francês que viveu em Lisboa durante uma quinzena de anos. Casado com uma madeirense, ele vive agora em Nova Iorque, mantendo todavia uma profunda ligação à cultura portuguesa.

Esta, todavia, não é a primeira aventura do inspetor Pereira, o protagonista da intriga. Em 2017, a mesma Guerra&Paz publicou “Entre mortos e feridos não escapa ninguém”, talvez a única obra de ficção que começa com um personagem a acabar de comer uma tosta-mista. Este primeiro romance, igualmente muito divertido, percorre, através de dois homicídios, os meandros obscuros do futebol português e a sua ligação com os meios políticos. Um dos assassinados é José Castro, venerado Presidente do Futebol Clube do Norte, cujo corpo sem vida apareceu no parque de estacionamento de um bordel de luxo.

Já este “Les brumes de Lisbonne” – a reescrita da edição de 2018 saída em Portugal – trata o assassinato de Ornelas, um conhecido banqueiro português. O caso é então entregue a Jerónimo Pereira, uma polícia à antiga, amante de fado e de mulheres maduras. Pereira, acompanhado pelos colegas Moreira e Godinho, tão epicuristas como ele, vão percorrendo os bairros chiques de Lisboa em busca de pistas e, nada os impede, frequentando os melhores restaurantes da cidade.

Um romance que por entre as “luzes” lisboetas que os franceses procuram – a aventura, a viagem, o património, a comida… no fundo, a boa vida para quem tem dinheiro -, Peter Brooklyn também retrata ao leitor as “sombras” escondidas de uma sociedade complexa: uma rede de pedofilia, os pecados e os crimes perpetrados por religiosos e as infrações cometidas pela grande finança.

Uma escrita fácil e um tom ligeiro que dão corpo a um livro de capítulos curtos em que a cidade, ela própria, quase se transforma em personagem.

 

[pro_ad_display_adzone id=”29973″]

LusoJornal