O Governo pediu à rede consular na Europa para “ajudar a mobilizar empresas portuguesas de construção civil” para participarem na reconstrução da região Centro na sequência da depressão Kristin, anunciou ontem o Ministro da Presidência.
“Pedimos à rede consular na Europa para ajudar a mobilizar empresas portuguesas de construção civil que trabalham em países como a Suíça, a França, o Luxemburgo, a Alemanha para poderem vir a Portugal prestar serviço”, assegurou António Leitão Amaro, que esteve ontem de manhã a ser ouvido na Comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.
O governante garantiu ainda que não foi identificada, segundo as próprias empresas, “uma necessidade de escala larga de atratividade” de mão-de-obra estrangeira, tendo sido ordenado, no âmbito da estrutura de missão criada para a recuperação da região, que seja dada prioridade à procura de trabalhadores que já se encontram em Portugal.
Leitão Amaro acrescentou que, caso venha a ser preciso recorrer a mão-de-obra estrangeira, “há canais adequados para suprir as necessidades que efetivamente existirem”, rejeitando um hipotético cenário de ofertas de trabalhos colocados numa praça com milhares de pessoas. O Ministro da Presidência aludia ao protocolo sobre imigração regulada celebrado em 2025 com as Confederações empresariais que estabelece procedimentos e obrigações específicas, incluindo para a rede consular, e que, segundo Leitão Amaro, tem sido utilizado sobretudo por empresas de construção civil.
“Só há oferta de trabalho se as empresas concretas colocarem uma oferta concreta a um trabalhador concreto”, insistiu o governante.
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Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 em 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.







