MAP | Jorge OliveiraMinistro José Manuel Fernandes visitou a presença portuguesa no salão Wine ParisCarlos Pereira·Comunidade·10 Fevereiro, 2026 O Ministro português da Agricultura, José Manuel Fernandes, visitou ontem o “Wine Paris”, um dos mais influentes salões internacionais dedicados ao vinho e às bebidas espirituosas, reforçando a aposta estratégica de Portugal na promoção externa do setor vitivinícola. A visita, acompanhada por representantes da ViniPortugal, da delegação de Paris da AICEP e pelas várias Comissões vitivinícolas regionais, sublinhou a importância crescente deste certame para a afirmação dos produtores nacionais num mercado global altamente competitivo. O pavilhão português, um dos maiores do salão, reuniu quase três centenas de expositores provenientes de todas as regiões vitivinícolas do país – do Douro ao Alentejo, passando pelos Vinhos Verdes, Dão, Bairrada, Tejo, Lisboa, Algarve e Madeira. Entre os produtores presentes encontravam‑se casas históricas, cooperativas, pequenos projetos familiares e marcas emergentes que têm conquistado atenção internacional pela qualidade, diversidade e capacidade de inovação. “Vir aqui e ter este espaço enorme de vinhos portugueses, é muito importante. Nós não temos a noção que o vinho, para além da coesão territorial em Portugal, é das áreas também onde há mais renovação geracional, com muitos enólogos e enólogas jovens. É um espaço onde há investigação, onde há uma inovação e um enorme crescimento da qualidade” disse José Manuel Fernandes ao LusoJornal. Durante a visita, o Ministro destacou também “o dinamismo e a resiliência do setor”, lembrando que o vinho representa uma das mais importantes fileiras agroalimentares portuguesas, com forte peso nas exportações e na imagem internacional do país. “É uma das áreas onde temos um superavit anual de 800 milhões de euros. E não há esta perceção!” O salão, que reúne anualmente milhares de profissionais – distribuidores, sommeliers, compradores, jornalistas e líderes de opinião – tornou‑se um ponto de encontro estratégico para os produtores portugueses. A edição deste ano voltou a confirmar a tendência: grande procura por vinhos autênticos, sustentáveis e com forte identidade regional, características que têm favorecido Portugal no panorama internacional. José Manuel Fernandes sublinhou que o Wine Paris “é hoje uma plataforma incontornável para consolidar mercados, abrir portas a novos importadores e reforçar a presença de Portugal junto de compradores de todo o mundo”. O Ministro visitou praticamente todos os expositores, durante quase todo o dia, cumprimentando, conversando, ouvindo por vezes queixas ou propostas, muitas vezes tratando por tu – como tanto gosta de fazer – e distribuindo afetos pelos seus interlocutores. Para muitos expositores, a presença em Paris representa não apenas uma oportunidade comercial, mas também um momento de afirmação cultural. “Aqui mostramos que Portugal não é apenas um país de tradição, mas também de modernidade e criatividade”, afirmou um produtor do Dão, destacando o interesse crescente por castas autóctones e perfis diferenciados. “Temos um grande trabalho a fazer em termos da promoção. Porque os nossos vinhos, face à qualidade que têm, não têm o preço que têm outros com menos qualidade. Portanto, estar aqui, neste espaço, onde a França tem a maior representação, como seria natural, e depois está a Itália – país convidado de honra – seguido de Portugal e Espanha com mais ou menos o mesmo número de expositores, que são quase 300” destacou ao LusoJornal o Ministro da Agricultura. “E a nossa qualidade é algo que nós não devemos descorar, apesar de todos os ataques que existem em relação ao vinho, à escala global, da diminuição do consumo, Portugal tem-se aguentado e até crescido. A participação portuguesa contou ainda com provas comentadas, apresentações regionais e encontros com compradores estratégicos, reforçando a visibilidade do país num mercado europeu cada vez mais exigente. O Presidente Emmanuel Macron inaugurou ontem de manhã o salão, reforçando a importância deste certame para a França e segundo dados preliminares da organização, o fluxo de visitantes profissionais mantém‑se elevado, com particular destaque para delegações da América do Norte, Ásia e Europa Central – mercados prioritários para o crescimento das exportações portuguesas. Antes de regressar a Portugal, o Ministro reiterou o compromisso do Governo em apoiar a internacionalização do setor, sublinhando que “o futuro dos vinhos portugueses passa por continuar a conquistar o mundo, garrafa a garrafa, mantendo a qualidade, a autenticidade e a capacidade de inovar”.