O poema da vida, a vida em poema
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Dia 12 de agosto de 1962
dia em que achei graça
nesse mesmo dia
fui eu assentar praça
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Fui eu assentar praça
com lágrimas e a chorar
deixei pai e mãe
para ir à vida militar
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Comecei a minha vida militar
a comida não era muito boa
fui assentar praça
em caçador 5 de Lisboa
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O clarim tocava a formar
eu lá ia para a formatura
começam as instruções
para concluir a recruta
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Terminei a recruta
de graduação alto ponto
com três meses de instruções
vim a passar a pronto
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Passei a pronto
com toda a minha cautela
a partir dessa data
comecei a fazer sentinela
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Quando não estava de serviço
à noite metia dispensa
ao terminar a recruta
oito dias me deram de licença
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Terminada a licença
minha mãe mandou-me um chouriço
foi chegar ao quartel
e entrei logo de serviço
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Continuei com o serviço
numa vida normal
ao fim de pouco tempo
transferido para Setúbal
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Em Setúbal o serviço continuou
mas também se jogava à bola
a 12 de março de 1963
embarcamos para Angola
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Seguimos para Noqui
sempre falando com Jesus
o nosso transporte
era o barco Vera-Cruz
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Chegamos a Noqui
com todo o nosso batalhão
o comando aí ficou
a minha companhia ao campo de aviação
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Aí começou a nossa luta
como todo o nosso coração
a 20 de maio tivemos um acidente
morreu o alferes do meu pelotão
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Com esta grande tragédia
afirmamos com grande firmeza
a nossa companhia
ficou de luto e tristeza
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O nosso acampamento
era como um campismo
toda a nossa luta
era contra o terrorismo
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Dias e noites estava de serviço
todo o tempo em que eu passava
pois minha melhor arma
era o terço que eu rezava
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No decorrer desta luta
sem poder fazer mais nada
pois pensei para comigo
em arranjar uma namorada
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Escrevi um aerograma
de forma cor-de-rosa
a namorada veio a ser
minha prima Maria Graciosa
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Assim continuou o namoro
em todo o tempo militar
com saudades de voltar à metrópole
para meus pais e namorada abraçar
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Onze meses passados no Norte
não foi uma brincadeira
ordem do nosso Comandante
o batalhão vai para Sá da Bandeira
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De Noqui para Luanda
viemos de viatura
de Luanda para Moçâmedes
novamente o Vera-Cruz
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Chegamos a Moçâmedes
a nossa ideia era essa
o batalhão foi para Sá da Bandeira
a minha companhia para Pereira-Deça
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Terminados dezasseis meses
no sul tudo foi normal
ordens do Comandante
vamos para Portugal
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Do sul para Luanda
viemos de viatura
de Luanda para Lisboa
novamente no Vera-Cruz
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A 13 de junho de 1965
chegamos a Lisboa a sorrir e a cantar
a 17 cheguei à minha terra
para pais, irmãos e namorada abraçar
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Para mim foi uma alegria
ao terminar a vida militar
regressar à minha terra
para o namoro continuar
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O namoro continuou
como também a nossa dança
em abril de 1966
emigrei para França
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Em abril fui para França
era esse o meu pensamento
a 21 de janeiro de 1967
realizámos o nosso casamento
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Realizámos o nosso casamento
com todo o amor empecilhos
em agosto de 1967
começaram a vir os filhos
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Começaram a vir os filhos
graças a Deus de olhos abertos
depois de alguns anos
começaram a vir os netos
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Eu e a minha esposa
assim formámos o nosso lar
seis filhos que temos
dez netos a acompanhar
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Para mim e minha esposa
é uma alegria no coração
ver filhos e netos
em volta da mesa a comer o pão
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Eu e minha esposa
muitas graças devemos dar
de todos os filhos e netos
a eles nos podemos abraçar
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Assim vou terminar
com esta minha canção
minha esposa, filhos e netos
estarão sempre no meu coração.
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