Um dia, meus filhos, netos e bisnetos,
Contar-vos-ei o passado.
Aquele tempo que chamaram por nós, e dissemos sim.
………. Quando velhos homens, pelas praias, disseram profecias
Que havia caminhos noturnos à nossa espera. Diziam então
Que seríamos o fogo novo. O sinal da contradição
………. E o resgate da quimera. Éramos todos irmãos.
Foi o tempo que sonhei convosco,
Depois anoiteciam os montes.
Ao amanhecer acordavam fulgores verdes em nós,
E sabíamos que vivíamos. Então continuamos.
Também pegávamos crianças nos braços e sorríamos.
Sentíamo-nos puros e simples. E eu pensava em vós.
………. Oh sim. Hei de contar-vos
Foi o tempo dos quantos e dos porquês, uns desenhavam
Tatuagens no peito e rezavam. Então, encostados à solidão,
Os outros chorávamos. Sobretudo doía-nos o coração.
O tempo era o infinito, e prosseguíamos “iremos, iremos”
E íamos. Sempre fomos, e chegámos.
………. Um dia contar-vos-ei. Quando vocês forem a criança que eu
………. Não fui. Quando vocês forem a herança de mim.
………. Quando o rosto da vossa esperança
For o passado do meu sim.
José Grenho
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