Municipais’26 : Radialista Carlos da Cunha é candidato em Montussan

Ao número crescente de portugueses e lusodescendentes candidatos às eleições municipais em França soma-se agora Carlos da Cunha. Novo nome na política local de Montussan (33), a candidatura para as autárquicas marcadas para março surge num contexto de crescimento da representação portuguesa nas autarquias francesas, motivada pelo desejo de reforçar a integração, dar continuidade ao trabalho comunitário e contribuir para o desenvolvimento das localidades onde a diáspora reside.

Carlos da Cunha tem 57 anos e é natural de Arcos de Valdevez, mais concretamente da freguesia de Miranda. Veio para Bordeaux com 18 anos viver com familiares e trabalhar. História comum a muitos emigrantes portugueses da mesma geração. Décadas depois, é um dos exemplos da integração progressiva da Comunidade portuguesa na vida cívica e associativa francesa.

Residente em Montussan há quatro anos, Carlos da Cunha junta-se agora à lista de candidatos às eleições municipais locais, integrando uma lista independente. O seu percurso está profundamente ligado ao associativismo. Em 2000, assumiu a presidência de um clube de futebol, iniciando um trajeto de forte envolvimento comunitário.

Mais tarde, começou a escrever crónicas para um jornal local e integrou a rádio associativa O2 Radio, com a qual colabora há 17 anos. Atualmente, faz parte da Direção da estação, que transmite cerca de 20 horas semanais em língua portuguesa, sendo também responsável por um programa semanal como locutor.

Foi Conselheiro suplente das Comunidades Portuguesas em Bordeaux durante oito anos, período no qual participou na criação de um coletivo para coordenar a agenda cultural da região. Há cerca de uma década que coordena o Coletivo do Mundo Associativo de Bordeaux, mantendo a confiança dos dirigentes associativos mesmo após o término das suas funções no Conselho das Comunidades Portuguesas.

Atualmente, o coletivo está associado à Santa Casa da Misericórdia de Paris, colaborando na organização de eventos e representação das associações, tendo anteriormente também prestado apoio financeiro a famílias em situação de vulnerabilidade.

O seu percurso revela uma constante preocupação com a Comunidade portuguesa, destacando-se como uma das prioridades do seu trabalho associativo a promoção do ensino da língua portuguesa às crianças. Durante o período em que integrou o Conselho das Comunidades, participou na criação de polos escolares, que funcionaram durante cerca de cinco anos, cujo objetivo era disponibilizar aulas de português e atividades sem ocupação extracurricular.

A sua identidade enquanto português emigrante reforçou, segundo afirma, a preocupação em preservar as raízes culturais portuguesas e transmiti-las às novas gerações.

Carlos da Cunha afirma ter-se considerado sempre um cidadão politicamente ativo, no entanto nunca considerou uma carreira partidária, apesar de ter tido vários convites para integrar diversos partidos políticos. Define-se “dono de si mesmo e independente” e considera que a sua entrada na política local surgiu de forma natural e orgânica, como uma continuação do trabalho desenvolvido no associativismo e na promoção cultural. O convite que lhe foi estendido para integrar a atual lista municipal permitiu-lhe, segundo o próprio, uma forma de continuar a servir, através de um novo formato, a Comunidade portuguesa e promover a cultura lusófona enquanto, simultaneamente, contribui para o desenvolvimento da terra que o acolheu.

Considera que a comunidade portuguesa está hoje mais representada na política local francesa do que no passado. Refere que, nomeadamente nos dois últimos anos, tem sido visível um aumento do número de portugueses e lusodescendentes convidados a participar em listas autárquicas, sinal de uma progressiva integração e reconhecimento.

Defende como prioridades a promoção da educação, a melhoria das ligações de transporte entre a cidade e outros centros urbanos próximos e a criação de emprego local. Considera-se um “homem de terreno” no qual as suas experiências com diversos projetos em trabalhos públicos fariam dele uma mais-valia na área do urbanismo.

Mostra ainda interesse num eventual projeto de geminação entre Montussan e uma cidade portuguesa, com vista a promover intercâmbios culturais, escolares e turísticos.

Num momento em que cresce o número de portugueses a candidatarem-se e a assumirem responsabilidades autárquicas em França, casos como o de Carlos da Cunha ilustram uma tendência clara: a comunidade portuguesa não só mantém vivas as suas raízes culturais, como assume um papel cada vez mais ativo na construção das sociedades onde vive. A participação cívica surge, assim, como um instrumento essencial para a consolidação da representação, a promoção da cultura e a integração da voz dos portugueses nas comunidades além-fronteiras.

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