As Comunidades portuguesas não param de dar lições ao Governo, mas nem mesmo assim ele aprende. À falta de reconhecimento, os residentes no estrangeiro respondem com solidariedade, sem se queixarem, se calhar já habituados a não esperar nada, mas que não deixa de ser uma grande falta de compreensão sobre a ligação intensa e profunda que as Comunidades têm com o país.
Ainda por cima, as tempestades atingiram brutalmente as regiões centro e norte, profundamente marcadas pela emigração, tendo destruído sem piedade património público e privado. Mas nem mesmo assim o Governo se lembrou das Comunidades.
Aliás, como aconteceu a propósito dos fogos de verão, em que o Governo só decidiu considerar os residentes no estrangeiro depois de ter sido interpelado pelo líder do PS, José Luís Carneiro, que agora volta a fazer o mesmo em relação às tempestades.
Com a sensibilidade de um elefante numa loja de cristais, o Ministro da Economia, Castro Almeida sempre que aparece é para desconsiderar as vítimas das tragédias, ora dizendo “tivessem seguro”, ora que se amanhem com o salário do mês acabado de receber.
O que é paradoxal e incongruente é que o mesmo Governo que esquece mais uma vez os residentes no estrangeiro, também apelou para que os emigrantes viessem com as suas empresas ajudar na reconstrução, como fez o Secretário de Estado das Comunidades, Emídio Sousa.
De resto, muitos dos nossos compatriotas vieram à pressa para Portugal para reparar as suas casas e muitos ficaram para ajudar os vizinhos. Desde que ocorra alguma catástrofe, as Comunidades nunca falham na solidariedade, em França, no Luxemburgo, na Suíça e noutros países, os exemplos abundam, sempre com os empresários e os dirigentes associativos na linha da frente a recolher bens para ajudar.
Quatro empresários conhecidos na região parisiense, Arthur Machado, Mapril Batista, Mário Martins e Fernando da Costa, oriundos do distrito de Leiria, encheram quatro camiões com telhas e lonas para Pombal, Leiria, Espite e Santa Catarina da Serra. Um outro grupo de empresários e dirigentes associativos e com o apoio da Rádio Alfa, criaram o coletivo “Todos Juntos vamos Transformar a Esperança em Realidade”, e juntaram materiais de construção, roupa e alimentos. No Luxemburgo, na resposta a um desafio de solidariedade lançado pela Câmara do Comércio e Indústria Luso-luxemburguesa e a empresa Sopinor, conseguiu-se 24 toneladas de apoio humanitário.
E estes são apenas alguns exemplos da imensa onda de solidariedade que demonstra a nobreza das Comunidades portuguesas e a sua profunda ligação ao país, mas que infelizmente o Governo teima em ignorar.
O que comprova, mais uma vez, que Portugal pode esquecer os nossos compatriotas residentes no estrangeiro, mas eles nunca esquecem o seu país.
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Paulo Pisco
Diretor do Departamento de Comunidades do PS






