LusoJornal | António Borga

Opinião: Eis por que razão a CNE não motivou os eleitores em França a votar nas eleições Presidenciais


O assunto talvez tenha passado despercebido. Mas só para os mais distraídos. Porque aqueles que acompanham estas questões das Comunidades portuguesas aperceberam-se certamente que a Comissão nacional de eleições (CNE) e o Ministério da Administração Interna (MAI) não fizeram qualquer campanha de informação junto da Comunidade portuguesa de França. Esqueceram-se?

A abstenção dos eleitores portugueses residentes em França nestas eleições ultrapassou os 96%!

Mas não é de estranhar. Tem sido assim sempre que há eleições presenciais.

Mesmo sabendo que a abstenção é desta ordem, a CNE e o MAI continuam a considerar que não é importante fazer campanha de comunicação em França.

Num programa de televisão, na RTP internacional (“Decisão Nacional”, apresentado por Rosário Lira), o Porta-Voz da CNE desmentiu o Diretor do LusoJornal e disse que provavelmente a campanha não contemplou o LusoJornal, mas houve campanha nas Comunidades.

Efetivamente, soubemos de campanha em alguns suportes, nomeadamente no Brasil. Mas em França – o país com mais eleitores fora de Portugal – a CNE e o MAI não fizeram campanha nenhuma.

Todo o trabalho de divulgação das eleições que foi feito pelo LusoJornal – e foi muito – foi feito gratuitamente, sem qualquer campanha patrocinada.

Não é por nada, mas se a CNE patrocina campanhas de motivação ao voto junto dos órgãos de comunicação social em Portugal, por que não patrocina no estrangeiro?

O que leva à CNE e ao MAI fazerem esta discriminação e não fazerem nada para reduzir a taxa de abstenção? Quem deu diretivas? Quem assume esta responsabilidade?

E por que razão nenhum Partido político achou por bem convocar os responsáveis destas duas instituições para explicarem as razões desta discriminação e desta falta de comunicação?

Isto não interessará, pelo menos, a nenhum dos quatro Deputados eleitos pela emigração? Pelo menos esses!

Em boa verdade, a CNE e o MAI não podiam comprar publicidade ao LusoJornal.

Se a CNE e o MAI achassem interessante fazer uma campanha em França, teriam de comprar espaços publicitários aos jornais Libération, Le Parisien, le Monde, La Montagne, Sub-Ouest,… e nunca ao LusoJornal.

Sabem porquê? A CNE e o MAI não podem comprar publicidade ao LusoJornal porque o LusoJornal não está inscrito na ERC (Entidade Reguladora da Comunicação) em Portugal! E não está inscrito na ERC porque o LusoJornal é um jornal francês e a ERC não tem nenhum controlo sobre os conteúdos do LusoJornal.

O Libération, o Le Parisien, o Le Monde, o La Montagne ou o Sub-Ouest, também não estão inscritos na ERC, evidentemente, porque são jornais franceses. Mas nesses, as Instituições portuguesas podem comprar publicidade.

É complicado perceber? É.

Aliás eu também não percebo!

Mas percebo uma coisa: tanto a CNE como o MAI, acham que é uma grande ‘seca’ terem de organizar eleições para os emigrantes!

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