Opinião: O Estado não aprende e mais uma vez falha às ComunidadesPaulo Pisco·Opinião·5 Fevereiro, 2026 O Estado continua a ser mau na prevenção e parco na generosidade. Se os cidadãos dão muito ao Estado através dos seus impostos, é natural que também recebam, sobretudo quando ficam totalmente desamparados. O Estado não pode ser só uma entidade abstrata. Tem a obrigação de ser a mão que apoia e a voz que conforta, sobretudo quando a tragédia coletiva bate à porta. O Estado, representado pelo Governo de turno, falhou em toda a linha. Falhou quando lançou um Alerta Vermelho para a tempestade Kristin e depois não deu orientações para cidadãos, indústrias e comércios protegerem os seus bens e as suas vidas, o que ajudaria a minimizar os estragos. O Governo falhou também aos nossos compatriotas residentes no estrangeiro, que tiveram de ir a correr a Portugal para tentar salvar os seus bens ou reparar os estragos causados pelas tempestades e ajudar, em muitos casos, os seus vizinhos. Mas, mais uma vez, ficaram de fora dos apoios decretados pelo Governo, tal como quando ocorreram os incêndios no passado verão. A história repete-se e o Governo não aprende. Humildemente, o Governo podia seguir a proposta apresentada por José Luís Carneiro, que defende “o acompanhamento às Comunidades emigrantes na preservação e reabilitação de património afetado”. Mas a história repete-se e o Governo não aprende. Depois da tempestade ter deixado um rasto de devastação, ouviam-se muitas pessoas desesperadas a dizerem que se sentiam abandonadas e impotentes, sem água, nem comida, nem energia. Os militares, as forças de segurança, os membros do Governo e da Administração não estiveram logo no terreno quando eram mais precisos. As pessoas estiveram sozinhas a reconstruir o que o vento e chuva destruíram. Algumas morreram a reparar os telhados das suas casas. Faltou liderança e comando ao Primeiro-Ministro e assistimos a uma atuação risível de alguns Ministros: Leitão Amaro, enfiado no Gabinete armado em operacional, Maria Lúcia Amaral, desorientada, Nuno Melo, patético e Castro Almeida, insensível. Um Governo de confiança estaria sempre no terreno antes da tempestade e mandaria logo depois todos os meios humanos e materiais que tivesse para as pessoas não se sentirem desprotegidas. Montenegro, que é tão forte em perceções, foi incapaz de prevenir a dimensão da catástrofe. Disponibilizaria comida, água, conforto, meios materiais e apoios financeiros imediatos para ajudar a enfrentar as dificuldades. Ajudava na reconstrução das perdas e não hesitaria nos apoios a fundo perdido, para permitir uma rápida recuperação da atividade das pequenas e médias indústrias e comércios para não correrem o risco de fechar definitivamente. Mas nada disso aconteceu. O Governo foi muito mau na prevenção, demorou demasiado tempo a reagir, foi muito curto nos apoios, esqueceu-se mais uma vez dos nossos compatriotas residentes no estrangeiro e deixou que o sentimento de abandono alastrasse. Valeu a determinação e solidariedade do povo, das pessoas comuns, dos autarcas, dos bombeiros e dos emigrantes, que se organizaram e foram inexcedíveis nos esforços de entreajuda, fazendo tudo o que podiam. A história repete-se e o Governo não aprende, nem as lições de antes das tragédias, nem aquilo que deveria ser o seu dever depois, quando as pessoas mais precisam de ajuda. Lamentável. . Paulo Pisco Diretor do Departamento de Comunidades do PS Ex-Deputado (PS) eleito pelo círculo eleitoral da Europa