ArquivoPartido Socialista quer que o Governo estreite as relações com a diáspora científicaCarlos Pereira·Comunidade·8 Janeiro, 2026 O Grupo Parlamentar do Partido Socialista perguntou ao Governo se “está consciente do extraordinário potencial existente da diáspora científica portuguesa e da necessidade de com ela existir uma relação estruturada e permanente” e também quer fazer “o ponto da situação” sobre a relação entre os organismos públicos tutelados pelo Governo e a diáspora científica portuguesa”. Num Requerimento ao Ministro da Educação, Ciência e Inovação, apresentado na Assembleia da República e assinado por um grupo de Deputados socialistas – cujo primeiro proponente foi o Secretário Geral do Partido, José Luís Carneiro – é explicado que “os investigadores e diplomados portugueses no estrangeiro representam um enorme potencial para o desenvolvimento de uma diplomacia científica e para o aprofundamento das relações bilaterais que podem ser potenciadas através dos contactos com as associações de graduados e investigadores existentes na Europa e nos Estados Unidos”. “Há diplomados e investigadores que desenvolvem atividades e funções de destaque em empresas e laboratórios de grande relevo, em domínios suscetíveis de potenciar colaborações com as suas congéneres em Portugal, fortalecendo-as através da participação em projetos conjuntos e troca de experiências” diz o documento. Há associações de diplomados e investigadores com centenas de membros nos Estados Unidos (PAPS), Reino Unido (PARSUK), Alemanha (ASPPA), França (AGRAFr), Benelux (APEI Benelux), Escandinávia (SPOT NORDIC) e Suíça (AGRAPS), “sendo que elas próprias possuem um manancial de conhecimentos de empresas e instituições que podem ser de grande utilidade”. É neste contexto que os socialistas perguntam se “pensa o Governo criar um programa específico para promover um relacionamento estruturado e permanente com a diáspora científica portuguesa?” No quadro da nova Agência para a Inovação, “como pensa o Governo assegurar a continuidade dos protocolos assinados com as associações de diplomados e investigadores e promover o seu desenvolvimento e expansão?” E pergunta ainda se “Dado que em alguns dos protocolos entre a Fundação para a Ciência e Tecnologia se previa a necessidade de mapear a diáspora científica portuguesa, em que ponto se encontra este objetivo fundamental para se ter um conhecimento mais consolidado da diáspora científica portuguesa?” “A diáspora científica portuguesa pode dar um poderoso contributo no desenvolvimento de relações bilaterais ao nível da investigação, inovação e cooperação, como se pode depreender do potencial existente nos protocolos entre a Fundação para a Ciência e Tecnologia e várias destas associações. Em alguns destes protocolos ficou definida a necessidade de mapear a diáspora científica local e a criação de um Conselho Científico local, para assessorar as instituições nacionais e as representações diplomáticas” lê-se na pergunta do PS. “Anualmente realiza-se também um Fórum dos Graduados Portugueses no Estrangeiro (GRAPE), no qual participam membros das associações atrás referidas e convidados do mundo político, científico e empresarial, onde são debatidos assuntos relacionados com a diáspora científica e a sua ligação a Portugal. Nos últimos anos foram vários os membros do Governo que participaram nos eventos do GRAPE, o que torna mais premente a necessidade de haver uma consequência prática no reforço das ligações entre as instituições portuguesas de natureza política, académica, empresarial e de investigação”. José Luís Carneiro considera que este fórum e as associações referidas constituem, assim, “uma plataforma excecional para que se possa efetuar um diálogo permanente e estruturado com a diáspora científica portuguesa, uma enorme mais-valia para Portugal, que não pode ser desperdiçada”. Para além de José Luís Carneiro, assinam também este Requerimento os Deputados socialistas Eurico Brilhante Dias, João Torres, Porfírio Silva, Catarina Louro e Aida Carvalho. Todos consideram ser “fundamental que o Governo pudesse proceder a um mapeamento dos investigadores e graduados existentes nessas associações, e também fora delas através do trabalho das Embaixadas e Consulados, para se conhecer melhor todo este extraordinário potencial”. José Luís Carneiro visitou recentemente no Centre Européen de Recherche Nucleaire (CERN), em Genebra, estendendo-se a França, onde trabalham diretamente cerca de 150 portugueses no domínio técnico e da investigação e diz que “ficou patente a necessidade de serem criados e fortalecidos pontos de contacto entre Portugal e a sua diáspora científica”. “Entre os aspetos que foram referidos pelos investigadores portugueses no CERN, destaque para o seu desejo de contribuir para a definição das políticas públicas no domínio da investigação científica, para a promoção e divulgação do conhecimento científico, e para ajudar os jovens portugueses da diáspora a compreender melhor o alcance da ciência e da sua atividade” escreve José Luís Carneiro que visitou o CERN na companhia do seu Adjunto e antigo Deputado eleito pelo círculo da emigração na Europa, Paulo Pisco. “Foi também referida a importância de promover a participação de empresas portuguesas tanto nos concursos de fornecimento de materiais e serviços para as atividades do CERN, bem como potenciar a sua participação em programas de codesenvolvimento em áreas de investigação nacionais prioritárias. Adicionalmente, sublinhou-se a necessidade de fortalecer os acordos de colaboração com universidades e politécnicos nacionais, nomeadamente nas áreas cruciais de transformação da sociedade digital”. Por isso mesmo, o Grupo Parlamentar socialista pergunta ao Governo “que iniciativas existem para promover a participação de empresas portuguesas para fornecerem bens e serviços na área da investigação científica e tecnológica a entidades fora do país?” Para concluir, o texto afirma ainda que “a presença de uma diáspora científica organizada e altamente disponível para contribuir para o desenvolvimento do país, representa um potencial significativo. Esta realidade exige que o Estado português tenha plena consciência da totalidade deste potencial na cooperação científica, nas suas diversas vertentes. Torna-se imperativo que esta área beneficie de um programa robusto e estruturado que permita o aproveitamento integral de todas as suas capacidades”.