Portugal: Exportações globais de vinhos por tipo de produto – França, nosso principal mercado

A evolução do consumo mundial de vinho nos últimos 30 anos mostra uma tendência clara de forte declínio. Hoje, o mundo consome menos vinho do que em qualquer momento, segundo dados recentes da OIV. Entre os anos 1990 e 2010, o consumo global de vinho cresceu de forma moderada, impulsionado pela abertura de novos mercados (EUA, China, Rússia). Mas, a partir de 2010, o crescimento estagnou e depois entrou em declínio, especialmente nos mercados tradicionais (França, Itália, Espanha) que consomem hoje menos da metade do que consumiam nos anos 1960-1980.

O declínio acelerou devido a mudanças geracionais, menos álcool, menor quantidade e melhor qualidade, concorrência de outras bebidas (cervejas artesanais, cocktails, bebidas sem álcool), mudanças de hábitos e menor interesse das gerações mais jovens, não ignorando as recentes campanhas anti-álcool.

O ponto mais baixo em 60 anos foi atingido em 2024, o consumo mundial caiu para 214 milhões de hectolitros, o nível mais baixo desde 1961, em queda contínua há três anos consecutivos.

Neste contexto e apesar de tudo, as exportações portuguesas de Vinhos (incluídos Porto, Madeira, Espumantes) atingiram notavelmente um valor recorde em 2024.

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Portugal: Exportações por tipos de vinhos

Fonte : IVV (em milhares de euros)

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As exportações portuguesas de Vinhos (incluídos Porto, Madeira, Espumantes) atingiram um valor recorde de 965,8 milhões de euros em 2024, um aumento de 4,5% face ao ano anterior.

Tendo em conta as principais categorias, os Vinhos de Mesa Certificados (DO mais IG) contribuem em 463,4 milhões euros nas exportações; os Vinhos Correntes, sem menção de origem, em 158 milhões euros; os Vinhos do Porto em 304,2 milhões; os Vinhos da Madeira em 15,9 milhões de euros e os Vinhos Espumantes em 11,4 milhões.

Por grandes zonas económicas, 43,1% dos vinhos exportados têm como destino a União Europeia e 56,9% os Países Terceiros (extra-UE).

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Exportações: 10 mercados principais

Por mercados de destino, e considerando os Vinhos na sua globalidade (incluídos Porto, Madeira, Espumantes), a França é o nosso principal cliente (103,4 M€) com uma quota de mercado de 10,7%. Na segunda posição, encontra-se os Estados Unidos (102,1 M€) com uma quota de mercado de 10,6%). O Brasil com 85,8 M€ e o Reino Unido com 84,3 M€ ocupam os lugares seguintes no ranking dos principais clientes, com quotas de mercado de 8,9% e 8,7%, respetivamente. Os Países Baixos ocupam a quinta posição, com 52,2 M€ e uma quota de mercado de 5,4%.

Se se considerar apenas o Vinho do Porto, o seu peso nas exportações de vinhos é de grande importância, representando, por si só, 35,5% das exportações em 2024.

Por grandes zonas económicas, 62,7% das exportações de vinho do Porto têm como destino a União Europeia, o equivalente a 190,7 M€. Os restantes 37,3% têm com destino os Países Terceiros (extra-UE) para um valor de 113,4 M€.

No que refere aos mercados externos, a França continua líder como cliente, com um valor de vendas de 70,8 milhões de euros e uma quota de mercado de 23,3%. Seguem-se-lhe, com valores muito próximos entre eles, os EUA com 34,7 M€, os Países Baixos com 34,5 M€ e o Reino Unido com 33,4 M€, e quotas de mercado de 11,4%, 11,3% e 11%, respetivamente. A Bélgica ocupa o quinto lugar no ranking, com 29,1 M€ e uma quota de mercado de 9.6%.

Considerando o Vinho da Madeira, as suas exportações atingem os 15,9 milhões euros em 2024, em diminuição de -2,3% relativamente ao ano anterior.

Por grandes zonas económicas, 42,6%, o equivalente a 6,7 milhões de euros, têm como destino a União Europeia e 57,4% os Países Terceiros (extra-UE), num valor de 9,1 milhões de euros.

Por mercados principais, os EUA são o nosso primeiro cliente de vinhos da Madeira, com 2,7 M€ em valor e uma quota de mercado de 16,8%. A França situa-se na segunda posição, 2,3 milhões de euros e uma quota de mercado de 14,6%, seguindo-se o Reino Unido com 1,7 M€ e 10,9% de quota de mercado, o Japão com 1,4 milhões, quota de mercado de 9,1% ou ainda, dentro dos cinco primeiros importadores, a Alemanha com um valor de 1,2 M€ e uma quota de mercado de 7%.