Presidente de Cabo Verde foi recebido por Macron e ouviu diáspora em França


O Presidente cabo-verdiano sugeriu, em entrevista à Lusa, que Cabo Verde e França possam discutir mecanismos de financiamento e garantias para atender às preocupações da diáspora que, a partir do país europeu, quer investir no arquipélago.

Além da integração na Europa, há uma grande pré-disposição dos emigrantes em investir nas suas ilhas, disse José Maria Neves.

“Relativamente aos cabo-verdianos, que são empresários e que querem investir, há que discutir a forma de financiamento e de garantia aos investimentos. Puseram-me, em vários momentos, essas preocupações”, referiu José Maria Neves, num balanço da visita de seis dias a território francês.

As preocupações dizem respeito ao “financiamento de projetos para investimento fora de França” e a “dificuldades na obtenção de garantias. O custo do dinheiro em Cabo Verde ainda é elevado e em França é difícil obterem financiamento para investirem fora do território francês”, descreveu.

“Nós, sendo um país de diáspora, teremos de reanalisar essas questões e ver se há algum mecanismo que possa ser criado para assegurar o financiamento e a garantia de investimentos de cabo-verdianos no exterior”, disse o Chefe de Estado, apontando o tema como uma sugestão para articulação no diálogo que os dois governos têm mantido.

Os dois executivos já estão a discutir a realização de um fórum empresarial, acrescentou, reiterando a ideia com que ficou após o encontro com o Presidente francês, Emmanuel Macron, na sexta-feira, no Elysée: “há um interesse grande de França no sentido da dinamização das relações económico-empresariais. O regresso da Agência Francesa de Desenvolvimento a Cabo Verde já é também um facto” – além da presença do grupo Vinci e firmas privadas francesas noutros setores.

O fórum empresarial será o próximo passo “para uma identificação mais precisa de oportunidades e de um conjunto de áreas que possam receber investimentos privados e públicos franceses”, adiantou.

A visita a França “ultrapassou as expectativas iniciais”, referiu José Maria Neves, restando saber se o convite já aceite por Macron para visitar Cabo Verde ainda se concretizará. “Está no último ano do mandato, há um conjunto de questões geopolíticas na Europa, mas os canais diplomáticos vão cuidar disto e vamos ver”, indicou o Presidente do arquipélago, acrescentando que Cabo Verde também passará por duas eleições – legislativas em maio e presidenciais em novembro -, tornando mais densa a agenda de 2026.

Da viagem, levou “boas referências em relação aos cabo-verdianos, um elogio à capacidade de integração e de trabalho”, com as autoridades a dizer, “claramente, que em relação à Comunidade cabo-verdiana em França, não há nódoas”, assinalou.

Numa altura em que prolifera um discurso anti-imigração a nível internacional, a visita a França serviu para ver que “há um outro mundo”, um “outro lado da sociedade que preza as Comunidades”.