Professores de Francês vão poder dar aulas de português em Portugal

Os professores de línguas estrangeiras, inclusive o francês, vão poder lecionar português no 3º Ciclo e Secundário, e as aulas de Geografia poderão ser dadas por docentes de História, no caso das turmas ainda sem professor, anunciou a Direção-Geral da Administração Escolar.

Numa nota enviada na terça-feira às escolas, a direção-geral explica que a existência de horários ainda por preencher no início do 2º período obriga a “reajustamentos no circuito delineado para a satisfação das necessidades ligadas à docência” de determinadas disciplinas, nomeadamente Português, Inglês, Geografia e Informática.

No caso da disciplina de português e inglês, as aulas vão poder ser dadas por professores de francês, alemão e espanhol, desde que os docentes tenham “estágio pedagógico habilitante” ou “adequada formação científica” nestas áreas, à semelhança do que a Direção-Geral da Administração Escolar (DGAE) propõe para a disciplina de Geografia, que poderá ser lecionada por professores de História.

A Informática é a disciplina na qual se abrem mais exceções, uma vez que as aulas poderão ser dadas pelos professores com habilitações de grau superior no âmbito das TIC (Tecnologias da Informação e Comunicação), mas também por docentes de qualquer outra área, desde que sejam formadores acreditados pelo Conselho Científico Pedagógico da Formação Contínua, nesta área de informática, ou que aí tenham concluído ações de formação.

Em comunicado, o Ministério da Educação explica que as instruções da DGAE vêm no sentido de resolver o problema da falta de professores, esclarecendo que não alteram o enquadramento legal no que respeita às competências exigidas aos professores.

“Estas medidas visam agilizar o processo de recrutamento de docentes, tratando-se de um conjunto de medidas exclusivamente gestionárias, inseridas predominantemente no domínio da distribuição de serviço docente, não modificando o enquadramento legal das competências concursais, garantindo sempre a habilitação profissional dos docentes”, lê-se no comunicado.

A DGAE apela também à colaboração entre as escolas, através da atribuição de mais horas aos professores contratados com horários incompletos, ou cujo horário seja inferior ao obrigatório.

 

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1 Comment Deixe uma resposta

  1. Reciclagem de professores, mais um estratagema ministerial!

    A situacao nao é tao clara nem tao simples como consta no artigo que anuncia que os professores de francês vao poder dar aulas de Português em Portugal dentro do sistema de escolaridade obrigatória.
    Em primeiro lugar, isto só diz respeito aos professores portugueses habilitados em Portugal para lecionar disciplinas de língua estrangeira, como por exemplo Inglês. Alemao, Francês ou Espanhol que poderao agora, segundo decisao do Ministério da Educacao, lecionar também Português.O processo será idêntico para os professores de História, que poderao lecionar também Geografia. Se os docentes desta última disciplina poderao ou nao lecionar História, nao consta.
    Este procedimento nada tem de positivo, trata-se unicamente de um “tapa-buracos” do Ministério da Educacao em Portugal, o qual decerto já farto de ouvir queixas de pais e diretores de escolas,devido à endémica falta de professores e ao facto de milhares de alunos estarem desde o início do presente ano letivo sem aulas a esta ou aquela disciplina, facto amplamente relatado na imprensa nacional, entrou numa onda de “vale tudo” , ou quase.
    Ainda falta que o ME diga que os professores de Matemática podem dar aulas de Português ou Geografia, mas talvez isso nao esteja muito longe.
    Mas porque é que faltam professores? Muito simplesmente, porque o nosso país trata pessimamente os docentes em Portugal, como aliás faz também com os professores de Português no estrangeiro, paga-lhes mal, nao atualiza vencimentos, recusa fazer a contagem integral de tempo de servico, a uns e outros, para poupar nos vencimentos e além disso sobrecarrega-os com horas e horas de trabalho extra que nunca é pago nem reconhecido.
    E como somos, infelizmente, “abencoados” com uns políticos totalmente falhos de visao e que só vêem o dia de amanha, na melhor das hipóteses, os ex.mos senhores ministro e outros, que andavam tao contentes com as receitas provenientes do turismo, esqueceram-se que o turismo exagerado e abusivo que temos agora iria fazer subir as rendas de casa, de modo que um professor colocado na área de Lisboa, no Porto ou no Algarve nao pode aceitar a colocacao porque nao recebe vencimento sufciente para pagar a renda de um apartamento ou mesmo de um mísero quarto.
    E assim faltam professores e os alunos ficam sem aulas, exatamente como sucede no estrangeiro, onde a aplicacao da inconstitucional “propina” e a existência de um ensino cada vez com menos qualidade leva à perca de cerca de 11 mil alunos por ano.
    Por isso em Portugal vai haver os professores tapa-buracos, o que para aqueles que tiverem essa triste sorte irá significar muito mais trabalho ainda, mais alunos e mais preparacao de aulas, porque em vez de lecionarem Francês a 4 ou 5 turmas de 2° ciclo terao também de ensinar Português a essas ou outras.
    Neste caso só se pode dizer:”Viva a exploracao! ” , porque tal medida é diretamente inimiga de um ensino de qualidade e dos direitos dos professores.
    Porém nao pensem os professores do EPE que terao mais possibilidade de conseguir colocacao em Portugal, porque continuam a só poder concorrer em segunda prioridade às escolas em território nacional, visto que no estrangeiro tanto os alunos como os professores portugueses sao discriminados negativamente, uns com o pagamento obrigatório , outros com a prioridade inferior.
    No estrangeiro, já estávamos habituados a que os governantes “rapassem o fundo do tacho” no respeitante às Comunidades.
    Esse procedimento está agora a estender-se a Portugal.
    E quando já nao houver nada para rapar, como vai ser?

    Teresa Duarte Soares, professora com 42 anos de servico, cá e lá.

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