Leão Rebordosa

“Rostos da Democracia”: Exposição de Mafalda Rocha foi inaugurada ontem na Casa de Portugal em Paris


A artista plástica Mafalda Rocha, inaugurou ontem ao fim da tarde, na Casa de Portugal André de Gouveia, na Cité Universitaire International de Paris, a exposição de pintura “Rostos da Democracia”, que fica patente ao público até 12 de fevereiro, numa iniciativa do projeto Literando de Sara Novais Nogueira.

Trata-se de retratos desenhados a lápis, de homens e mulheres, que marcaram estes 50 de Democracia, mas a artista explicou que, fruto da pesquisa que fez, alargou para além deste período, começando até com Guerra Junqueiro, ainda durante a Monarquia.

Todos estes homens e mulheres foram desenhados por cima de documentos, muitas vezes da PIDE, que censurava o seu trabalho. Numa grande mesa que acompanha a exposição, estão precisamente documentos, extratos de publicações censuradas nos jornais, relatórios da PIDE que proibiam a publicação de livros e concertos.

Mafalda Rocha percorreu a exposição, explicando as razões dos “traços verticais, horizontais e oblíquos, como os traços do lápis azul da censura” com que desenhou as personagens, e explicando as razões da escolha de algumas delas.

Lá está Adriano Correia de Oliveira, Alice Vieira, Amália Rodrigues, Aquilino Ribeiro, Diana Andringa, Eduardo Lourenço, Humberto Delgado, Zeca Afonso, Maria, Lamas, Maria de Lurdes Pintassilgo, Miguel Torga, Natália Correia e muitos outros.

“Esta não é uma exposição partidária, não era esse o meu objetivo” explica a artista, apontando, mesmo assim, para Álvaro Cunhal, Francisco Sá Carneiro e Mário Soares, “que marcaram o pós-25 de Abril”.

O ator Pierre Fabre leu o poema “As portas que abril abriu” de José Carlos Ary dos Santos, a jovem poetisa Sarah Luz do canal Youtube Poesia de Cor, gravou um poema que foi projetado na sala, uma aluna do Liceu Balzac de Paris leu um poema de Manuel Alegre e a própria organizadora do serão, Sara Novais Nogueira leu um extrato da Pedra Filosofal de António Gedeão.

Também a jornalista e escritora Rosabela Afonso se deslocou de Portugal para acompanhar Mafalda Rocha na inauguração desta exposição. Jornalista de profissão, com ampla carreira na RTP, autora de obras infantojuvenis, explicou que encontrou Mafalda Rocha num evento literário em Penafiel e “constatei que tínhamos em comum um trabalho sobre algumas mulheres que estão nesta exposição” explicou.

“Quando se comemorou o centenário da República portuguesa, constatei que as mulheres não apareciam. Foram ignoradas” confessou Rosabela Afonso, que decidiu dar a conhecer a um público juvenil algumas dessas mulheres.

Rosabela Afonso escreveu também uma peça de teatro que põe em cena Maria Barroso, a mulher de Mário Soares, e Sofia de Mello Breyner. Durante a apresentação, leu uma carta que Mário Soares escreveu precisamente a Maria Barroso quando estava preso, no 13° aniversário do casamento dos dois, lembrando que os dois se casaram por procuração, precisamente porque Soares estava preso.

O momento musical esteve a cargo da fadista Tereza Carvalho, acompanhada por Manuel Miranda à guitarra portuguesa e Adriano Dias à viola de fado.

Antes disso, teve lugar uma mesa-redonda intitulada “Rostos da Democracia – ontem, hoje e amanhã”, moderada por Sara Novais Nogueira, com a participação da artista Mafalda Rocha, da autora Rosabela Afonso e do jornalista, Diretor do LusoJornal, Carlos Pereira.

Mafalda Rocha nasceu em Arouca, em 1957, mas reside em Penafiel. Depois de ter sido professora durante 34 anos, dedica-se agora exclusivamente à pintura. Estudou na Faculdade de Belas Artes do Porto e desde 2008 realizou várias exposições individuais em Portugal e no estrangeiro. Esta é a segunda vez que expõe em Paris.

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“Rostos da Democracia”

Dia 8 de janeiro, 19h00

Casa de Portugal

Cidade Universitária Internacional de Paris

7 P boulevard Jourdan

75014 Paris

Entrada livre