Marie Lopez-Vivanco

“Saudade, ici et là-bas”: Peça de teatro presta homenagem à história dos emigrantes portugueses

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A peça “Saudade, ici et là-bas”, escrita pela atriz franco-portuguesa Isabel Ribeiro, chega a Paris em 24 e 25 de setembro para mostrar aos programadores e profissionais do espetáculo a história de três gerações de portugueses em França.

“Precisava de prestar uma homenagem a todos estes portugueses que vieram para França e às nossas famílias. Não numa perspetiva de reivindicação, mas sim para não esquecermos de onde viemos”, disse Isabel Ribeiro, autora e protagonista da peça “Saudade, ici et là-bas”, em declarações à Lusa.

Com uma carreira de mais de 20 anos no mundo do teatro, dança e música, Isabel Ribeiro assina pela primeira vez uma peça falando da imigração portuguesa em França.

Nascida em França de um pai vindo de Viana do Castelo e de uma mãe oriunda de Ovar, a autora disse ter crescido com esta dupla cultura, preocupando-se mais tarde com a importância da transmissão daquilo que a sua família viveu em Portugal e em França. “Senti esta necessidade de trabalhar mais profundamente e procurar o que é para mim a transmissão cultural, o que é esta dupla cultura. Acho que todos nos questionamos dizendo que somos franceses, com origens portuguesas, mas como é que eu vivo isso”, questionou.

Assim, a convite do festival “Novembre em Normandie” e com a companhia Cinéthéact nasceu a peça “Saudade, ici et là-bas” sobre a história de dois irmãos e um sobrinho que têm de decidir sobre a venda da casa dos pais em Portugal, uma decisão “avassaladora”.

“Este encontro permite evocar uma história familiar que Manu [o sobrinho] não conhece porque ele é de uma outra geração. Ele é filho de uma mulher de origem portuguesa, mas não conhece muita coisa sobre o passado da família e vai descobrir os seus laços à família Portuguesa”, explicou.

A peça é encenada por Alexis Desseaux e conta ainda com Dan Inger dos Santos e Simon Gielen no elenco, havendo também uma forte presença da música, com canções como “Barco Negro” que vão acompanhando a trama.

A peça já foi apresentada algumas vezes, com uma receção calorosa por parte do público, mostrando a “universalidade” da história da imigração em França. “As pessoas de origem portuguesa ficaram muito emocionadas e mesmo quem não tem nada a ver com Portugal disse que também foi tocado porque toda a gente, a um certo momento, já foi obrigado a abandonar o sítio de onde é para procurar uma vida melhor”, explicou Isabel Ribeiro.

O espetáculo no Teatro Clavel, em Paris, nos dias 24 e 25 de setembro, vai servir para mostrar a peça a uma audiência profissional, embora seja também aberto ao público, e conseguir levá-lo a teatros na região parisiense, em toda a França, mas também a outros países com emigração portuguesa como o Luxemburgo, Bélgica ou Suíça, assim como Portugal. “Queremos que esta peça viaje. Desde logo em França, mas também noutros países como a Bélgica, Luxemburgo, Suíça e Portugal. Queremos ir ao encontro de todos estes emigrantes que são os atores desta peça”, concluiu a autora.

 

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  1. Opinião
    A peça “Saudade, ici et là-bas”, escrita pela atriz franco-portuguesa Isabel Ribeiro

    “Saudade, ici et là-bas”: não vi a peça de teatro, mas gostaria imenso de ver. Definição de saudade:
    “sentimento de mágoa, nostalgia e incompletude, causado pela ausência, desaparecimento, distância ou privação de pessoas, épocas, lugares ou coisas a que se esteve afetiva e ditosamente ligado e que se desejaria voltar a ter presentes”. (Infopédia, Porto Editora). Quando os portugueses falam dos emigrantes, muitas das vezes empregam com exagero a palavra saudade, continuando a perpetuar este sentimento indefinido que é a nostalgia da Alma portuguesa. De facto, os emigrantes da década 60 do século passado, quando tiveram que deixar o País, numa grande esmagadora maioria por motivos económicos, foi com mágoa, foi com nostalgia e incompletude que tiveram de o fazer. Vejamos a definição de mágoa, vejamos a definição de nostalgia, vejamos a definição de incompletude (do mesmo dicionário) que são a essência da palavra SAUDADE:
    Màgoa :
    1. arcaico efeito de magoar; nódoa ou marca produzida por contusão
    2. desgosto causado por afronta ou ofensa recebida; ressentimento
    3. pesar provocado por acontecimento ou circunstância infeliz
    4. amargura ; tristeza
    5. dó ; pena

    Nostalgia:
    1. sentimento de tristeza causado pelo afastamento do lar ou da terra natal
    2. sentimento de melancolia provocado pela lembrança de alegrias passadas

    Incompletude:

    estado daquilo que é ou está incompleto
    PSICOLOGIA sentimento de incompletude
    sentimento de imperfeição e de insuficiência característico de certas doenças psíquicas

    Nestes três vocábulos da definição essencial da palavra Saudade tenho a impressão que a saudade é dó, é desgosto, é amargura, é pena, é tristeza é um sentimento de incompletude, de imperfeição.

    A peça de Teatro “Saudade, ici et là-bas” deve ser excelente e certamente trata uma temática sobejamente conhecida do povo Emigrante Português.
    Já é tempo de abordarmos a Emigração Portuguesa fora do prisma da saudade, mas com realismo. Hoje, para mim o importante é que os políticos portugueses considerem os Emigrantes como parte integrante do Povo Português sem discriminação fiscal, sem discriminação eleitoral, sem discriminação de género.
    Cito o Dr. António Lima Nogueira que nos seus escritos quer abolir por completo o termo Emigrante substituindo-o por “Portugueses Residentes no Estrangeiro”. Estou em perfeita sintonia com este Psicólogo. Antes de chegarmos lá, teremos que nos separar por completo da ligação que fazemos inconscientemente quando falamos de Emigrantes e Saudade.
    Sou um português emigrante da segunda geração, nasci em 1954, os meus pais emigraram na década 60 do século passado. Para mim e para muitos indivíduos da primeira, segunda e terceira geração da emigração portuguesa não posso ligar o meu estado de emigrante à palavra saudade, dado que foi com alegria, foi com gosto e sem nenhuma pena que emigrei, quando miúdo, com os meus pais. A Emigração não é saudade, a Emigração é realismo.

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