A cirurgia estética masculina deixou de ser um tema periférico para se tornar uma realidade consolidada na prática médica contemporânea. Em todo o mundo, os homens continuam a representar uma percentagem inferior à das mulheres no total de procedimentos, mas são claramente o segmento com crescimento mais acelerado.
Dados internacionais indicam que, desde 2018, o número de cirurgias estéticas realizadas em homens aumentou de forma muito expressiva – próximo dos 90% – enquanto os procedimentos não cirúrgicos, como toxina botulínica, preenchimentos e tratamentos a laser, registaram um crescimento ainda superior. Atualmente, estima-se que cerca de 14 a 15% de todos os procedimentos estéticos globais sejam realizados em homens, uma proporção que tem vindo a subir de forma consistente.
O perfil de procura é bastante definido. Entre as cirurgias mais realizadas destacam-se a blefaroplastia (pálpebras), a correção de ginecomastia (mamas grandes), a lipoaspiração e rinoplastia. São intervenções que melhoram proporções, redefinem contornos e rejuvenescem a expressão sem alterar a identidade masculina. No campo não cirúrgico, a toxina botulínica lidera claramente, seguida por tecnologias baseadas em energia – como lasers e radiofrequência – e por preenchimentos com ácido hialurónico.
A preferência masculina tende a recair em soluções discretas, com pouco tempo de recuperação e resultados naturais. Muitos pacientes referem que procuram parecer mais descansados ou mais cuidados, e não necessariamente transformar o rosto ou o corpo.
Vários fatores ajudam a explicar esta mudança. A exposição permanente a câmaras de alta-definição, redes sociais e videoconferências aumentou a consciência sobre sinais de envelhecimento, textura cutânea e contorno facial. Paralelamente, a mudança cultural em torno do autocuidado masculino reduziu o estigma associado à estética.
Cuidar da imagem passou a ser entendido como parte da apresentação pessoal e profissional, e não como sinal de vaidade excessiva. Soma-se a isto a evolução técnica das últimas décadas, que trouxe procedimentos mais seguros, mais previsíveis e orientados para a naturalidade dos resultados.
Olhando para os próximos anos, a tendência aponta para um crescimento contínuo, ainda que mais estável, do mercado masculino, com projeções internacionais a sugerirem expansões anuais médias entre 5 e 7% até ao final da década. O segmento não cirúrgico deverá continuar a liderar, impulsionado por tecnologias cada vez mais sofisticadas e por terapias regenerativas que prometem melhorar qualidade da pele e firmeza com mínima invasão.
Ao mesmo tempo, observa-se um interesse crescente por procedimentos cirúrgicos de rejuvenescimento facial mais estruturado, como lifting do terço inferior da face e do pescoço, especialmente em homens a partir dos 45 ou 50 anos.
Mais do que uma tendência passageira, o crescimento da estética masculina reflete uma mudança estrutural na forma como os homens encaram o envelhecimento e a imagem pessoal. Naturalidade, segurança e individualização tornaram-se critérios centrais de decisão. Num contexto em que aparência e confiança caminham lado a lado, a cirurgia plástica e a medicina estética assumem um papel cada vez mais integrado na saúde global e na qualidade de vida masculina.
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Dr. David Rasteiro
Cirurgião Plástico
Lisboa






