Saúde: Dia do Pai – Modo como o pai trata a mãe e como isso influencia os filhos


A relação entre os pais constitui uma das primeiras referências relacionais das crianças. O modo como um pai trata a mãe – com respeito, escuta, cooperação ou, pelo contrário, com desvalorização, crítica ou agressividade – funciona como um modelo implícito de como se constroem as relações afetivas. As crianças aprendem muito através da observação: internalizam formas de comunicar, de resolver conflitos e de expressar afeto. Quando existe respeito e cuidado mútuo, cria-se um ambiente emocionalmente seguro que favorece o desenvolvimento da autoestima e da confiança nas relações.

Pelo contrário, dinâmicas marcadas por hostilidade, humilhação ou desvalorização podem gerar ansiedade, insegurança e até influenciar a forma como os filhos irão viver as suas próprias relações no futuro.

A paternidade pode representar uma oportunidade profunda de crescimento emocional. Muitos homens relatam um aumento do sentido de propósito, da responsabilidade e da ligação afetiva. Ser pai pode também promover o desenvolvimento de competências emocionais, como maior empatia, capacidade de cuidar, paciência e sensibilidade às necessidades do outro. Para além disso, a relação com os filhos pode reforçar o bem-estar psicológico, ao criar vínculos significativos e experiências de proximidade que contribuem para um sentimento de pertença e continuidade geracional.

Cuidados ao educar um filho e uma filha

Na educação de rapazes e raparigas, o mais importante é promover valores universais: respeito, responsabilidade, empatia e autonomia. Historicamente, muitos estereótipos de género influenciaram a educação, levando a que rapazes fossem incentivados a reprimir emoções e raparigas a assumirem papéis mais passivos. Hoje sabemos que é fundamental permitir que todas as crianças desenvolvam competências emocionais e sociais completas. Isso significa encorajar os rapazes a expressarem sentimentos e as raparigas a desenvolverem assertividade, autonomia e confiança. Uma educação equilibrada ajuda a prevenir desigualdades e favorece relações mais saudáveis no futuro.

As crianças aprendem sobretudo pelo exemplo. Quando observam um pai envolvido nas tarefas domésticas, no cuidado dos filhos e na partilha de responsabilidades familiares, interiorizam a ideia de cooperação e igualdade. Da mesma forma, quando veem respeito na comunicação entre os adultos – mesmo em momentos de desacordo – aprendem que os conflitos podem ser resolvidos sem desvalorização ou agressividade. O comportamento quotidiano dos pais tem muitas vezes mais impacto educativo do que as palavras ou regras explícitas.

Pais separados – cuidados a ter

Quando existe separação, é fundamental preservar a imagem parental perante os filhos. Falar de forma negativa sobre a mãe ou sobre o pai, pode colocar a criança num conflito de lealdades, gerando sofrimento emocional e sentimentos de culpa. Para a criança, ambos os pais fazem parte da sua identidade e história. Desvalorizar o outro progenitor pode ser vivido como uma desvalorização indireta de si própria. Por isso, é importante manter uma comunicação respeitosa, evitar críticas ou detalhes de conflitos conjugais e focar-se no bem-estar e nas necessidades da criança.

O papel dos avós

Embora o papel seja diferente em termos de responsabilidade direta na educação, os avós continuam a ser figuras de referência importantes. Muitas vezes representam também modelos de relação conjugal para as gerações mais novas. Em algumas famílias, podem existir padrões culturais ou geracionais diferentes, incluindo visões mais tradicionais sobre papéis de género. O ideal é que os adultos estejam atentos ao impacto desses exemplos e promovam, sempre que possível, relações baseadas em respeito, colaboração e valorização mútua. O diálogo entre gerações pode ser uma oportunidade para atualizar modelos e reforçar valores de igualdade e cuidado.

Mãe solteira

Uma mãe solteira não precisa – nem deve sentir que tem de – assumir simultaneamente o papel de mãe e de pai. O mais importante é garantir uma presença afetiva consistente, segura e disponível. As crianças precisam de relações significativas e estáveis. Outras figuras adultas de referência – familiares, avós, tios, ou padrinhos – podem também contribuir para ampliar as experiências relacionais da criança. O essencial é que a criança cresça num ambiente de afeto, segurança e apoio emocional.

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Dra. Isa Silvestre

Psicóloga clínica e da saúde

@isasilvestre.psicologa

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